Ingratidão

Escravidão. Essa era a realidade do povo de Israel no Egito. Deus havia abençoado tanto o seu povo que eles haviam multiplicado em número, de tal forma que o governante do Egito temia que eles iriam se revoltar contra os egípcios. Estando sofrendo com grande opressão como escravos, Deus liberta o seu povo da escravidão com mão poderosa, revelando para ambos israelitas e egípcios que ele é o único Deus verdadeiro, que criou céu, terra, e tudo o que nele há. Esse Deus Criador estava do lado de Israel. Ele libertou o seu povo da escravidão, e por meio de Moisés os guiou para a terra prometida.

Essa história é relatada pelo segundo livro do Pentateuco, nome dado para os primeiros cinco livros da Bíblia, os quais foram escritos por Moisés. Há inúmeros aspectos dessa história que podem ser destacados, mas eu gostaria de refletir brevemente sobre um detalhe bem específico dessa história. E esse detalhe pode ser descrito como ingratidão.

Mais específico ainda, o episódio dessa história que tenho em mente nessa reflexão é a ingratidão do povo logo após a travessia do Mar Vermelho. Deus havia acabado de libertar o povo de Israel do local onde os israelitas haviam sido escravos por gerações. Com sua mão poderosa e por seu poder, ele havia enviado pragas sobre o Egito, e ao final destruído todo o exército do Faraó enquanto este tentava alcançar os israelitas por meio do caminho aberto por Deus no meio do Mar Vermelho. Resumindo, o povo de Israel havia acabado de se tornar livres sem terem feito absolutamente nada, e ainda por cima haviam presenciado a destruição de todo o poder militar da nação que os oprimiam. Houve muita celebração naquele dia, como podemos ler nos capítulos 14 e 15 do livro de Êxodo.

A celebração não durou muito. Logo o povo de Israel começou a reclamar que não tinham aquilo que costumavam ter no Egito. Primeiro, reclamaram que havia escassez de água, para o qual Deus fez brotar água de um lugar desertico para que eles tivessem o que beber. Em seguida, reclamaram que não havia a mesma fartura de carne e pão para comerem.

“Quem dera a mão do Senhor nos tivesse matado no Egito!” disseram os israelitas a Moisés (Êxodo 16.3).

Sempre fico impressionado ao ler essa parte da história de Êxodo. Minha reação é normalmente essa: “Quão ingratos! Quão loucos! Como é que o povo de Israel pôde falar tais coisas para o Senhor? Afinal, eles haviam acabado de ver o Mar Vermelho se abrir para que eles fossem libertados da escravidão, e saíram do Egito mais ricos do que puderam imaginar sair.” Na verdade, a pergunta que surge em minha cabeça é, “Como pode alguém receber tudo de Deus e reclamar pelo fato de não ter uma coisa que deseja?”

Ingratidão. Essa é a palavra que descreve aquilo que o povo de Israel demonstrou diante da salvação dada por Deus. Ao invés de agradecer aquilo que haviam recebido, eles reclamaram por aquilo que não tinham.

Julgamento. Essa é a palavra que descreve aquilo que eu sempre demonstrei diante dessa atitude de Israel. Como eu escrevi acima, eu simplesmente não conseguia entender como alguém poderia ver Deus agindo de uma forma tão explêndida e grandiosa, e logo em seguida reclamar tão vergonhosamente da maneira que Deus estava agindo para com eles. Minha conclusão sempre foi que Israel havia agido ingratamente, e que ninguém em sã consciência [e sã fé] iria agir daquela maneira.

Hipócrita. Essa é a palavra que, na verdade, descreve aquilo que eu sempre fui diante desse episódio da história do povo de Deus. Por quê? Porque eu nunca fui nenhum pouco melhor do que os israelitas. De fato, eu ajo exatamente da mesma maneira que eles agiram. Diante de tudo aquilo que Deus me dá, eu sempre foco naquilo que não tenho, e demonstro minha completa ingratidão para o meu Criador. Eis uma ilustração do que eu estou falando.

Recebemos doação de pão aqui no seminário todas as semanas, uma vez por semana. Eu sou o encarregado de buscar essa doação na padaria local. Tal doação é simplesmente sensacional. Recebemos uma variedade muito grande de pães, bagels, mufins, coockies, baguetes, etc. Normalmente, conseguimos ter pão para toda a semana por meio dessa doação. No entanto, essa semana não recebemos um item que eu costumo pegar para comer durante a semana. Adivinha o que eu fiz? Lá estava eu cercado de sacos e caixas de pão, baguetes, etc. dos quais eu podia escolher o que comer, e possivelmente eu teria para comer pela semana toda, mas a única coisa que eu conseguia pensar era quão chatiado eu estava porque “aquele item que eu costumo comer” não havia sido doado essa semana.

Ingratidão. Essa é a palavra que descreve aquilo que eu normalmente demonstro para o Deus que me criou, me mantém, me salvou, me redimiu, me santificou, me dá tudo aquilo que preciso e ainda mais do que eu preciso, e que promete uma vida eterna com ele em uma nova criação. Esse sou eu. E esse eu não é nem sequer um fio de cabelo melhor do que os israelitas ingratos que viram a salvação dada por Deus e só podiam pensar em como a vida era boa quando eram escravos no Egito. Da mesma forma, minha ingratidão muitas vezes só me permite ver aquilo que eu queria ter e não tenho. Como resultado, escolho ser ingrato diante de tudo o que Deus faz por mim e me dá sem que eu mereça. Mesmo vendo a salvação que Deus me dá gratuitamente, eu escolho pensar na vida como escravo do pecado e do meu desejo pessoal.

“…temos dificuldade em ver tudo aquilo que Deus nos dá constantemente todos os dias”

Atualmente, as pessoas tendem a ser ingratas diante de tudo aquilo que Deus deu para elas. Mesmo o povo escolhido por Deus para ser santo como ele é santo, perfeito como ele é perfeito, escolhe ingratidão ao invés de uma vida santificada conforme a vontade divina. Mais especificamente, temos dificuldade em ver tudo aquilo que Deus nos dá constantemente todos os dias, e como resultado somos ingratos, achando que o que temos é fruto do nosso esforço e aquilo que não temos é fruto da má vontade de Deus.

Pare para pensar: como Deus tem te abençoado ultimamente? Não precisa pensar muito. Comece pelas coisas mais simples. Por exemplo, se você acordou hoje, agradeça a Deus. Não acordaríamos nem viveríamos sem que Deus nos acordasse cada manhã para vivermos como criatures dele. Da mesma forma, seu café-da-manhã, o ar que você acabou de respirar, o celular ou aparelho que você está utilizando para ler isso, seus olhos, boca, mente e razão para entender o que você está vendo.

TUDO vem de Deus. E por TUDO isso podemos ser gratos aquele que nos deu.

Eu sei que você tem algo que você quer ter, e que no momento você não tem ou não poder ter. Você não precisa ignorar essa vontade de ter o que você não tem. No entanto, fica meu convite para você reconhecer e focar naquilo que você tem, isto é, naquilo que você já recebeu do Deus que te criou e te mantém. Que suas bênçãos possam ocupar a sua mente e a sua forma de viver muito mais do que o seu descontentamento por aquilo que você não tem. Acredite em mim, Deus está te dando MUITAS bênçãos nesse exato momento.

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