A Igreja Faz Política?

A Igreja faz Política? Certamente sim. Esse texto trata de como cristão precisam entender o envolvimento e interesse da Igreja na Política. A Igreja Cristã não apenas precisa fazer Política, mas seu envolvimento na mesma é fundamental para que a vontade do Deus e Criador do céu e da terra seja feita em nosso meio também.

Tenho ouvido e encontrado muitas manifestações de teólogos e líderes religiosos sobre os últimos acontecimentos relacionados a política no Brasil. Mesmo sem ser um especialista no assunto, gostaria de refletir brevemente sobre o assunto. Afinal, teólogos “teologizam,” e minha intenção aqui é teologizar.

No entanto, não tenho a intenção de abordar os tipos de manifestações vistas até então da parte desses líderes religiosos. Por mais que eu tenha bastante a falar sobre isso, e estar convicto da necessidade de analizar tais manifestações, tal análise ficará para outro texto em um futuro próximo. Hoje, gostaria de abordar algo ainda mais básico, isto é, a igreja faz ou deveria fazer Política?

Para responder essa pergunta eu vou utilizar duas distinções ou abordagens, uma filosófica e outra teológica. A primeira distinção (filosófica) que vou usar é a distinção entre “política” e “Política,” oferecida pelo teólogo e filósofo brasileiro Leonardo Boff. De acordo com essa distinção, “política” com p minúsculo se refere à política partidária, ou política no sentido mais comum da palavra. Em contraste, “Política” com P maiúsculo se refere a questões que envolvem o mundo como um todo, tais como justiça, bem comum, ecologia, distribuição de bens, cuidado e preservação do meio-ambiente, etc. Assim, essa distinção apresenta uma política no sentido “estrito” e uma Política no sentido “amplo.” Eu vou retornar a essa distinção mais adiante nesse texto.

A segunda distinção (teológica) que vou usar é a distinção entre os dois “governos” oferecida pelo teólogo Martinho Lutero. De acordo com essa segunda distinção, Deus governa a sua criação—isto é, o mundo e tudo o que há neste mundo—por meio de dois governos, um “temporal” e outro “espiritual.” Ambos são instituídos por Deus e mantidos por ele. Porém, cada um desses governos é responsável por algo específico na criação. De um lado, o governo temporal é responsável por providenciar proteção e cuidado para o mundo material. Este governo está em vigor desde a criação do mundo, quando Adão e Eva receberam o comando de cuidar e proteger o jardim para que tudo funcionasse de acordo com a vontade do Criador. Do outro lado, o governo espiritual é responsável pela pregação do Evangelho. É através deste governo que Deus chama suas criaturas ao arrependimento, perdoa pecados, e restaura suas criaturas como justas e perfeitas diante dele. Tradicionalmente, estes governos são chamados de Estado (temporal) e Igreja (espiritual). Mas, como esta distinção nos ajuda a responder a pergunta sobre o envolvimento da Igreja com assuntos políticos?

Primeiramente, precisamos corrigir um erro muito comum em sociedades ocidentais. Desde o início da Era Moderna, sociedades ocidentais usaram essa distinção de Lutero para promover uma visão distorcida desse ensinamento, popularmente conhecida como “separação entre Igreja e Estado.” No entanto, nem Lutero nem teólogos luteranos que seguiram sua tradição teológica afirmam tal “separação.” De fato, tal separação só existe em nossa realidade “pós-queda” como um erro de interpretação do ensino bíblico desenvolvido por Lutero. Note que estamos lidando com uma dualidade, não uma oposição binária. Os dois governos—temporal e espiritual—servem como duas mãos através das quais Deus mantém sua criação funcionando de acordo com a sua vontade divina. Por isso, muitas vezes esse ensino de Lutero é conhecido como “dois reinos,” sendo um reino da “mão esquerda” e outro da “mão direita” de Deus. De qualquer forma, o importante para nossa reflexão é entender que estes dois governos não estão separados um do outro mas sim funcionam juntos para realizar a vontade do Criador para a sua criação. O objetivo desses dois governos é o bom funcionamento da criação.

Tendo estas duas distinções em mente, voltamos à pergunta inicial. Ao considerar se a Igreja faz ou não faz Política, gostaria de argumentar que “sim,” a Igreja faz sim Política. Note que a forma que estou escrevendo já aponta para o que está por trás desta resposta positiva. Especificamente, a Igreja faz Política, embora ela de forma alguma deva se envolver ou mesmo fazer política. Em outras palavras, a Igreja Cristã não faz política partidária. Ela não estende bandeiras de partidos, não apoia certo candidato, bem como também não faz oposição a um determinado partido ou candidato político. Essa não é a função da Igreja. Ela não foi instituída por Deus para fazer isso. E, portanto, a Igreja deve se abster de fazer política—ênfase no “p” minúsculo!

Ao mesmo tempo, a Igreja Cristã faz Política com “P” maiúsculo. Isso porque a Igreja conhece o mandamento divino dado aos dois governos pelo próprio Criador para o bom funcionamento da criação. Assim, quando a Igreja Cristã reconhece que o governo temporal (Estado) não está cumprindo com a sua parte do mandato divino de cuidar e proteger a criação e todas as suas criaturas (seres humanos e não humanos, solo, ar, água, etc.), é parte do seu mandato divino ajudar o governo temporal à exercer a sua função. Tal ajuda da Igreja ao governo temporal se dá em forma de denúncia, correção, orientação, e mesmo apoio para que esse governo reconheça o seu erro e torne a exercer a sua função à luz da vontade divina.

No entanto, é necessário que a Igreja evite um erro muito comum. Especificamente, a Igreja deve evitar a tentação de assumir a função que pertence ao governo temporal. Isto significa que embora a Igreja denuncie, corrija, e oriente o governo temporal, ela não pode confundir esse apoio com um chamado para ele mesma se tornar um governo temporal no mundo. Em outras palavras, a Igreja deve denunciar e corrigir problemas com o intuito de ajudar o governo temporal a exercer sua função. Ele não deve tentar derrubar ou substituir o governo temporal. Por isso, é necessário manter em mente a distinção entre estes dois governos, lembrando que a função da Igreja é pregar e proclamar a vontade de Deus para toda a sua criação, o que significa que não faz parte do trabalho da Igreja governar o Estado.

Tendo dito isso, a Igreja Cristã não somente faz Política como tem o dever de fazer Política diante de abusos do governo temporal. De fato, o teólogo e Reformador Martinho Lutero escreveu que faz parte da vocação dos pastores da Igreja denunciar e corrigir abusos do governo temporal. E ele escreveu que tal correção e denúncia deveria ser feita do púlpito! Claro, tal correção e denúncia deve ser feita não de acordo com a vontade ou postura política do pastor, mas sim de acordo com a vontade de Deus o Criador para a sua criação. Dessa forma, a Igreja estará ajudando o governo temporal a exercer aquilo que ele foi instituído e comandado a fazer: cuidar do bem comum e do bom funcionamento do mundo material.

Portanto, a Igreja Cristã faz Política sim. De fato, estou convicto que o atual momento que estamos vivenciando no Brasil convida a Igreja a denunciar, corrigir, e orientar o governo temporal. Desde anos temos vivenciado inúmeros casos de corrupção e abusos do governo temporal. Ser parte deste governo passou a ser um meio de ter vantagens próprias e servir os seus próprios desejos ao invés de ser um meio de servir o bem comum, cuidando e protegendo toda a criação. Em meio a tal contexto, Deus chama a sua Igreja a falar a vontade dEle para a sua criação. De forma alguma a Igreja pode se calar diante do que está acontecendo!

A Igreja faz Política? Certamente sim. E eis que vivemos um período que tal verdade é fundamental para que a vontade do Deus e Criador do céu e da terra seja feita em nosso meio também. Que Deus Pai, Filho, e Espírito Santo dê forças a sua Igreja para que ela não permaneça em silêncio mas sim fale a vontade divina, para o bem de toda a criação—especialmente o Brasil.

Dia da Terra (Earth Day)

Foto: NASA

Deus viu tudo o que havia feito, e eis que era muito bom.

Genesis 1.31

Ao final do sexto dia da criação do universo, o Criador olha para tudo o que ele havia criado. A reação do Criador é de encanto e prazer, pois tudo o que havia criado era muito bom. Quão maravilhosa é esta criação, a qual inspira o próprio Criador a afirmar que esta é muito boa. E, de fato, tudo o que Deus criou é muito bom!

Infelizmente, o estado original da criação conforme relatado nas Escrituras dura pouco tempo. Como lemos no livro de Gênesis, o ser humano desobedeceu ao seu Criador e trouxe o pecado para dentro da criação que era perfeita. Como resultado, a partir do capítulo 3 do primeiro livro da Bíblia já encontramos apenas uma realidade “pós-queda,” ou seja, uma realidade afetada pela corrupção do pecado.

Talvez esse seja o motivo pelo qual as criaturas humanas têm muitas vezes considerado a criação de Deus como algo ruim. O ápice desse entendimento errado da história bíblica é uma linha de pensamento desenvolvida no início da Igreja Cristã, chamado gnosticismo. De acordo com esse ensino, tudo o que é físico ou material é por natureza ou essência ruim. Desde então, é muito comum até mesmo em meios cristãos uma visão distorcida da criação de Deus, visão esta que afirma que o mundo e tudo o que nele há é essencialmente ruim. O resultado é que a criação de Deus que foi declarada pelo próprio Criador como algo “muito bom” passa a ser vista como algo ruim ou sem valor pelas próprias criaturas que foram colocadas como protetores de tudo aquilo que havia sido criado.

O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.

Genesis 2.15

Atualmente, a atitude que a maioria de nós temos em relação à criação é de desinteresse ou mesmo instrumental. Damos valor ao que gostamos ou que nos oferece algo. E, simples assim, passamos a ver a criação e todas as demais criaturas criadas por Deus com o valor que nós damos para elas ao invés do valor que o próprio Deus declarou que elas têm. Mais importante, nos esquecemos da tarefa dada pelo próprio Criador, a qual nos diz para cuidar e garantir que tudo vá bem em sua criação.

Hoje, provavelmente mais do que nunca antes, precisamos lembrar do valor dado por Deus a sua criação e do mandamento que ele entregou aos seus representantes: nós, criaturas humanas. Por mais que muitos debatam sobre a veracidade ou não do aquecimento global, ninguém pode negar que as decisões tomadas por nós criaturas humanas têm levado toda a criação a gritar por socorro. Desmatamento, poluição, pobreza e miséria são apenas alguns dos efeitos que o modelo de vida que estamos vivendo trouxe para a criação de Deus. Como resultado, parece que a criação de Deus declarada como muito boa agora se tornou algo horrível e contaminado.

Isso não é novidade dos nossos tempos. Desde os tempos bíblicos a criação já gemia por causa das consequências do pecado do ser humano. Profetas como Isaías e Jeremias proclamaram como parte do seu ministério o sofrimento da terra e da criação como um todo (Is 24, Jr 12). O apóstolo Paulo também menciona o sofrimento da criação em sua carta aos Romanos.

Porque sabemos que toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora.

Romanos 8.22

Infelizmente, o sofrimento e a angústia de toda a criação de Deus é algo que tem sido uma realidade nos tempos bíblicos e ainda mais gravemente agora em nossos dias atuais.

Hoje, dia 22 de Abril, celebramos o dia da Terra. Para ser sincero, eu não consigo me lembrar de alguma vez ouvir isso ser mencionado em cultos ou sermões de nossas igrejas cristãs. Eu acho que isso deveria mudar. Como mencionei anteriormente, precisamos urgentemente lembrar do mandato que o Criador nos deu de proteger a criação, e lembrar que esta criação ainda é muito boa embora afetada pelas consequências do pecado. Eu estou convicto de que é parte da nossa vida cristã ter uma postura de cuidado em relação às demais criaturas e a criação como um todo. Deus chama o seu povo, assim como todas as suas criaturas, a cuidar da sua criação em um momento em que tal cuidado é muito necessário.

Como você pode fazer isso? Simples: recicle, reduza seu lixo, jogue o lixo no lixo, lute contra o impulso consumista de querer mais e mais, e muitas outras pequenas atitudes que por mais insignificantes que elas possam ser fazem uma diferença imensa no mundo em que vivemos.

Quer mais um motivo? A criação declarada por Deus no início como muito boa foi redimida por Cristo e aguarda a volta do seu Senhor para ser restaurada, i.e., ser recriada para a glória do seu Criador. Essa esperança de redenção sempre fez parte da fé do povo de Deus e precisa novamente ser enfatizada em nossa proclamação. Desde o profeta Isaías em suas profecias messiânicas (Is 11) vemos que a promessa da redenção é para toda a criação, não somente para os seres humanos. Por isso, Paulo pode dizer que toda a criação aguarda pelo dia da redenção (Rm 8), e João pode ver a nova criação (Ap 21-22).

E aquele que estava sentado no trono disse:

— Eis que faço novas todas as coisas.

Apocalipse 21.5

Portanto, eu convido a você a celebrar esse dia da Terra. Ore pela criação que geme com as consequências do pecado. Faça algo para cuidar das criaturas que sofrem. Poste uma foto em suas redes sociais afirmando a esperança cristã que toda a criação será restaurada. Por mais que a criação esteja distorcida pelo pecado, ela continua sendo a criação que o próprio Criador declarou e redimiu como sendo tudo “muito bom.”

Feliz dia da Terra! Feliz dia da criação do nosso Deus!

Tempos de COVID-19

Foto: The Guardian

Imagens como esta estão cada vez mais populares em jornais, revistas, e redes sociais. Locais que costumavam estar extremamente cheios e tumultuados—como nas ruas do centro de Nova York (foto acima)—agora estão praticamente desertas. Tudo está diferente. Tudo mudou.

O COVID-19 trouxe uma realidade totalmente diferente para a maioria de nós. Quem ia para o escritório todos os dias, agora trabalha de casa. Quem ia para a faculdade, agora tem aulas virtuais. Quem visitava amigos e família todos os finais de semana, agora mantém contato por ligações de WhatsApp ou através de outras inúmeras plataformas que permitem manter contato com as pessoas que mais amamos. Tudo está diferente. Tudo mudou.

No entanto, esta nova realidade trazida pela pandemia não somente alterou o modo que fazemos algo, mas também trouxe ao fim muitas coisas que fazíamos. Infelizmente, muitos de nós que tínhamos um trabalho agora estamos desempregados; muitos que estudávamos, agora enfrentamos a realidade que talvez teremos aula somente ano que vem. Ainda mais preocupante, muitos que tinham uma fonte de renda para ter o que comer, agora enfrentam a realidade de não ter o que comer ou prover para sua família. Tudo está diferente. Tudo mudou.

Em meio à muitas mudanças e situações diferentes que o mundo inteiro está enfrentando, uma delas afeta também a forma que somos igreja. Desde o início da pandemia, cultos e encontros religiosos têm sido cancelados para evitar a proliferação do virus. Por isso, comunidades cristãs estão realizando cultos de forma online, e mesmo estudos bíblicos em grupos através de plataformas como Zoom ou Google Meeting. O Sínodo que faço parte, por exemplo, tem sabiamente recomendado que congregações evitem cultos presenciais para evitar o avanço do vírus em nossas comunidades. Algo muito sensato, ao meu ver. No entanto, mesmo em nossa prática religiosa vemos que tudo está diferente, que tudo mudou.

O resultado: estamos “exilados” em nossas casas, mais popularmente conhecido como quarentena. Nunca antes foi tão desejado poder sair de casa. Quem não tinha o costume de praticar exercícios físicos agora reclama porque não poder correr no bairro da sua casa. Quem “odiava” o seu trabalho, agora sente falta da rotina de ir trabalhar. Até mesmo quem não gostava de ir à igreja agora sente falta da opção de poder ir ao culto. Não restam dúvidas que esta pandemia e a quarentena que ela trouxe apresenta algo totalmente diferente para nós. De fato, tudo mudou.

Em meio a todos os aspectos diferentes que estamos encontrando durante a quarentena, algo me chama muito a atenção. Em meu círculo religioso, vejo muitos irmãos super ansiosos pela ausência de cultos presenciais, principalmente pelo fato de não estar sendo possível realizar o Sacramento da Santa Ceia. E, honestamente, entendo a preocupação dos meus irmãos cristãos. Isso porque há muito tempo que a tradição luterana tem entendido o Sacramento da Santa Ceia como o centro da vida de culto, bem como a vida cristã como um todo. Esse entendimento não surgiu com a Reforma Protestante, mas vem desde os primeiros séculos da fé cristã, estando presente também na Igreja Ortodoxa e Igreja Católica Romana. De fato, o lugar da Santa Ceia é central para a vida de culto de cristãos. Portanto, e repito, eu entendo a preocupação dos meus irmãos e irmãs sobre a realização e participação deste Sacramento.

Ao mesmo tempo, acredito que seja necessário entendermos o porquê deste Sacramento ter tal centralidade em nosso entendimento de culto e vida cristã. O Sacramento da Santa Ceia é entendido e confessado por cristãos desde o tempo dos apóstolos como um Meio da Graça. O que isso significa? Deus instituiu meios pelos quais ele entregaria os benefícios conquistados por Cristo em sua vida e obra. Estes meios são Palavra e Sacramentos, pelos quais a promessa divina é entregue e passa a ser nossa. Dessa forma, a Santa Ceia é um meio pelo qual Deus nos dá perdão dos pecados, nos redime e refaz, nos tornando uma nova criatura, declarados justos diante do Pai. Tudo isso significa que recebemos salvação e vida eterna quando participamos da Santa Ceia. Da mesma forma, o mesmo vale para os outros Meios da Graça. Em outras palavras, Deus nos dá todos esses benefícios através do Batismo e da Pregação da Palavra.

No Batismo, Deus vem até nos e nos faz dele. Somos feitos filhos e filhas de Deus, herdeiros da salvação e da vida eterna, e recebemos o Espírito Santo, o qual habita em nós e nos forma de acordo com a vontade do Pai. Assim também na Pregação da Palavra. Quando um pastor anuncia a promessa de Deus, aqueles que ouvem e creem pelo poder do Espírito recebem estes benefícios prometidos por Deus através de seu Filho, Jesus Cristo. Ou seja, pela Pregação da Palavra, também recebemos perdão dos pecados, promessa de vida eterna e salvação. Por meio da Pregação, Deus vem até os seus filhos e filhas e entrega todos os benefícios conquistados por Cristo em sua vida e obra.

Por que isso é relevante para esse período de quarentena que estamos vivenciando?

Por mais que não estamos podendo ir à igreja e participar da celebração da Santa Ceia, podemos estar certos que Deus continua vindo até nós por meio da Pregação da Palavra.

Quando a Palavra é proclamada e a promessa divina anunciada na Pregação, Deus entrega a cada um dos seus a sua Graça. Assim, quando um pastor perdoa os pecados confessados por meio de um culto online, os pecados são realmente perdoados! Da mesma forma, quando um pastor anuncia a graça de Deus em Cristo por meio da Pregação, os que ouvem e confiam realmente recebem vida eterna e salvação. Em outras palavras, a Pregação que ouvimos todos os domingos em nossas televisões, computadores, celulares, etc. nos reafirma e renova a promessa que recebemos no nosso Batismo: somos filhos e filhas de Deus, herdeiros da salvação e vida eterna, templos do Espírito Santo. Isso não é uma desvalorização da Santa Ceia. Na verdade, isso ressalta a realidade que temos na Santa Ceia, a qual realmente nos dá a graça de Deus bem como o Batismo e a Pregação da Palavra.

Tudo está diferente. Tudo mudou. No entanto, eu prometo a você que a bondade e a graça de Deus não mudou. Eu sei que tudo o que está acontecendo pode levar você a pensar que a quarentena tirou tudo de você, e que não há esperanças de melhoras, e que o COVID-19 privou você até mesmo de receber a graça de Deus no Sacramento. Mas, eu te digo: isso não é verdade. Mesmo que tudo se vá e que tudo mude, o amor e cuidado de Deus por você continua. Você pode até estar sendo privado de participar na Santa Ceia, mas Deus vem até você por meio da sua Palavra pregada e renova a sua promessa feita no Batismo: “você é meu!” Assim, Deus Pai te entrega todos os benefícios conquistados por Cristo, e derrama sobre você o Espírito Santo, renovando a sua fé, fortalecendo-a, e te entregando a promessa da vida eterna. Como o apóstolo Paulo escreve aos Romanos,

Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Romanos 8.38-39 (NAA)

Nem tudo mudou. Enquanto tudo o que fazemos e como fazemos pode mudar, o amor de Deus não mudou em meio à quarentena. Ele continua vir até nós por meio da sua Palavra, e assim ele continuará fazendo até que tudo seja refeito.

Fique com a certeza que Deus Pai, Filho, e Espírito Santo está com você. Com COVID-19 ou sem. Hoje e sempre.