Seja Estranho

Ser estranho não é a aspiração “número um” para nossa vida. Pelo contrário, me ariscaria em dizer que todos nós queremos fazer parte e agir da maneira que todos estão agindo. Em outras palavras, não queremos ser estranhos. Queremos nos adaptar ao ambiente que vivemos, camuflar entre os demais, ser como todas as outras pessoas que vivem ao nosso redor.

No entanto, desde que a pandemia do coronavírus atingiu tanto os Estados Unidos (país onde eu moro) e o Brasil (país de origem), tenho tido a experiência de ser “estranho.” Isto começou pelo fato de que o COVID-19 obrigou que mudássemos nosso modo de viver na sociedade, especialmente em relação à outras pessoas. Especificamente, a quarentena nos fez ficar em casa ao invés de ir trabalhar, estudar, passear, etc. Não só isso, ela também nos orientou a não ter contato com outras pessoas, até mesmo amigos e parentes.

O objetivo de tal postura era simplesmente evitar a propagação do vírus que ameaçava—e ainda ameaça—milhões de pessoas ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, visava proteger a nós mesmos e as pessoas ao nosso redor.

Se isso fosse seguido à risca, a quarentena seria o nosso novo “normal.” Em outras palavras, usar máscaras, lavar as mãos e vias nasais, não sair de casa, não ter contato com outras pessoas que não moram com você, etc. deveria ser normal em tempos de pandemia que estamos vivendo.

No entanto, isso não aconteceu dessa forma. Reconhecendo que isso talvez aconteceu por uma ou até mesmo duas semanas (nos Estados Unidos e no Brasil), após isso parece que seguir as orientações necessárias para um contexto de pandemia era “demais” para ser seguido.

Hoje, já existem mais de 15 milhões de casos confirmados no mundo inteiro, dos quais mais de 6 milhões são soma dos casos dos Estados Unidos e do Brasil. Mais de 600 mil pessoas já morreram infectadas pelo vírus, das quais quase 230 mil pertencem a esses dois países. Ainda mais preocupante, nas últimas semanas o número de casos confirmados têm aumentado consideravelmente nesses países. Ontem, dia 22 de Julho, houveram mais de 130 mil novos casos confirmados só nos Estados Unidos e no Brasil, além de quase 2,5 mil mortes nos dois países.

Em meio a tudo isso, percebo que eu sou o “estranho.” Isto porque todos e tudo ao meu redor parece continuar como se nada estivesse acontecendo. No seminário onde moro, as pessoas fazem churrascos públicos que aglomeram mais de 30 pessoas logo ao lado da minha casa, totalmente sem seguir as medidas necessárias para o momento—isto é, uso de máscaras, distanciamento social, etc. O próprio seminário já retornou às aulas presenciais, mesmo que outras instituições de ensino demonstraram taxas muito elevadas de novos casos entre alunos que voltaram às aulas presenciais. Resultado: diariamente mais de 70 mil novos casos aqui nos Estados Unidos, hospitais e estados declarando situação de emergência, e milhares de famílias em luto pela perda de amigos e familiares.

No Brasil, a situação é a mesma, se não pior. Ontem, mais de 65 mil novos casos no país, e quase 1,3 mil mortes. No entanto, isso não é o suficiente para conscientizar as pessoas de seguir as orientações necessárias para evitar a proliferação dos vírus. Em locais onde há “bandeira vermelha” no país, até mesmo igrejas continuam abertas e realizando cultos presenciais. Em cidades onde já não há vagas em hospitais, o comércio continua aberto, e muitas pessoas se negam a usar máscaras em locais públicos. Além disso, muitos se reúnem em grandes grupos para fazer festa. Outros vão para a praia. Em uma palavra, a quarentena parece uma piada de mal gosto.

Nesse contexto, aquilo que deveria ser normal se torna “estranho.” Seguir as orientações e manter-se em quarentena parece ser um “exagero.” De fato, muitas pessoas perto de mim refletem a mentalidade deturpada do atual presidente do Brasil, o qual considera que o coronavírus é apenas uma “gripezinha,” e que o vírus não é tão ruim quanto parece.

Infelizmente, essa “gripezinha” já matou e ainda vai matar muita gente. De fato, muitos estão aprendendo isto da pior maneira. Isto porque com o passar do tempo, os números começam a ter nomes, e logo começam a ter caras conhecidas. Particularmente, já soube de pessoas MUITO próximas de mim que pegaram e ainda sofrem com o vírus. Irmã, tio, tia, amigos, avós de amigos, etc. De repente, aqueles números “sem significado” que os telejornais informam todos os dias passam a lembrar da irmã que sofreu, do tio que está quase morrendo infectado, ou do avô do amigo que faleceu por causa do coronavírus.

Embora essa seja a realidade, levar a sério a ameaça do COVID-19 ainda parece ser “estranho.” Aqui onde moro, vejo no olhar e nas interações com colegas do seminário que eu sou o “estranho” que está levando muito a sério tudo o que está acontecendo. Ficar “preso” dentro de casa, não se encontrar com amigos, gastar dinheiro extra para não ir em mercados, se privar de ir em restaurantes, etc. me faz parecer o “crazy Brazilian” daqui.

Talvez você também esteja experienciando essa situação onde você é o “estranho” em meio a tudo o que está acontecendo. Isto é, enquanto todos estão vivendo como se nada estivesse acontecendo, você é o “estranho” que continua ficando em casa e seguindo as recomendações da quarentena. Talvez você até mesmo se pergunte, “será que eu realmente preciso fazer tudo isso?” Afinal, será que eu realmente estou exagerando em me preocupar e me cuidar do jeito que eu estou me cuidando?

Eu não posso responder essas perguntas por você. Honestamente, você precisa refletir e decidir se você quer ou não ser o “estranho” em meio a tudo o que está acontecendo nessa pandemia. No entanto, eu posso te dizer que você não está sozinho. Eu tenho enfrentado esse pensamento frequentemente. De fato, tenho rejeitado oportunidades que iam contra meu entendimento do que é necessário ser feito agora, o que me levou a ser “o estranho” da comunidade onde moro. Porém, eu acredito que nesse momento todos nós somos chamados para sermos “estranhos.” De fato, estou convicto que a situação no mundo só não está ainda pior do que está porque há ainda muitos “estranhos” espalhados pelo mundo que se importam e cuidam de si mesmos e das pessoas que estão ao seu redor. O momento não é para ser “normal.” O momento que vivemos pede que sejamos “estranhos,” tanto para o nosso bem quanto para o bem daqueles que dependem da nossa postura para viver e combater esse vírus que ameaça todo o mundo.

Seja estranho. Eu sei que esse pedido pode parecer “estranho” agora, mas é sendo estranho que podemos evitar que mais pessoas se contaminem, sofram, e até mesmo percam suas vidas para o coronavírus. Eu vou continuar sendo “estranho.” Seja “estranho” comigo.

A Inversão da Postura em Relação à Narrativa Bíblica

Nota: O texto a seguir desenvolve uma crítica à uma linha atual de interpretação bíblica na qual o autor constrói tal crítica a partir de uma análise oferecida pelo teólogo Hans Frei. Enquanto Frei utilizou o termo “narrativa” como forma literária de textos narrativos das Escrituras, eu tomo a liberdade de usar “narrativa” nesse texto como referência à “meta-narrativa” bíblica, isto é, uma referência à história como um todo relatada nas Escrituras. Um agradecimento especial ao Dr. Alexandre Vieira por vários insights que me ajudaram a refletir mais sobre o texto como ele se encontra aqui.


Em um dos livros mais conhecidos entre “clássicos” da teologia contemporânea, Hans Frei observou um reversal of fit—literalmente, “inversão da disposição” ou “postura”— na interpretação da narrativa bíblica (The Eclipse of Biblical Narrative, 1-244). Segundo Frei, houve uma mudança na disposição do intérprete bíblico em relação ao texto das Escrituras, e isso traria grandes implicações para a maneira de entender e fazer teologia.

Mas, o que Frei quis dizer com essa inversão na postura do intérprete diante do texto bíblico? Esse texto tratará brevemente de elementos essenciais para entendermos o que esse reversal of fit significa, e qual a importância para nós ainda nos dias de hoje.

Relação entre Narrativa Bíblica e Acontecimentos Históricos

Um aspecto essencial para entender todo o livro escrito por Frei e a situação observada por ele é a relação entre o mundo da narrativa bíblica e os acontecimentos históricos do mundo em que vivemos. Conforme Frei, quando o intérprete bíblico adere a um determinado entendimento a respeito dessa relação, este estará aderindo a uma postura diante do texto das Escrituras.

Uma postura identificada por Frei se refere à disposição que pode ser chamada de “tradicional” ou “pré-moderna.” Nesta postura, o intérprete bíblico entende a relação entre a narrativa bíblica e os acontecimentos históricos priorizando a perspectiva da narrativa bíblica. Em outras palavras, o intérprete buscará ler os acontecimentos históricos do mundo à luz da narrativa bíblica, entendendo tais acontecimentos de acordo com o entendimento bíblico que emerge das Escrituras. Assim, podemos dizer que o intérprete bíblico interpreta os acontecimentos históricos de acordo com o entendimento de mundo que as Escrituras oferecem para ele.

Postura “tradicional” ou “pré-moderna”

Essencialmente, essa postura interpretativa parte da narrativa bíblica em direção aos acontecimentos do mundo, interpretando tais acontecimentos à luz do ensinamento bíblico. Mais importante, essa postura busca “encaixar” (inglês, fit) os acontecimentos históricos no relato ou entendimento que o texto bíblico oferece a respeito do mundo. Por exemplo, isso significaria tentar entender um fenômeno natural (como um ciclone ou terremoto) de acordo com o que a narrativa bíblica nos fala sobre estes eventos. Assim, a tarefa do intérprete bíblico é vista como entender o mundo e os eventos desse mundo à luz do texto bíblico. Isto é, o mundo é entendido de acordo com o entendimento bíblico. A prioridade é dada para o texto. A norma de interpretação é da narrativa bíblica.

Em contraste a essa postura, Frei observa uma nova forma de considerar a relação entre a narrativa bíblica e os acontecimentos históricos do mundo em que vivemos. Eu vou chamar essa postura de “moderna” nesse texto. Nessa postura “moderna,” o entendimento da relação entre as Escrituras e o mundo é exatamente o oposto da postura “pré-moderna” vista acima. Especificamente, o eventos que ocorrem no mundo ou o desenvolvimento histórico da sociedade se tornam o ponto de partida para entender esta relação.

Postura “moderna”

Nota-se uma inversão na interpretação da relação entre a narrativa bíblica e os acontecimentos históricos. A prioridade passa a pertencer para os eventos do mundo em que vivemos. O ponto de partida já não é o texto das Escrituras ou mesmo o entendimento de “mundo” que o texto bíblico nos oferece. Nesta postura, já não é a narrativa bíblica que oferece as normas para entender o mundo e tudo o que acontece nesse mundo, mas sim o mundo que oferece as normas para entender a narrativa bíblica e tudo o que é registrado nessa narrativa.

Em outras palavras, há uma inversão na postura de interpretação da narrativa bíblica. Diferentemente da postura “pré-moderna,” a postura “moderna” parte do entendimento oferecido pelo mundo e busca interpretar o texto das Escrituras à luz desse entendimento. Por consequência, a tarefa do intérprete passa a ser vista como “encaixar” a narrativa bíblica nos acontecimentos ou eventos do mundo. Assim, se estudos modernos a respeito do contexto bíblico demonstra algo que difere do relato bíblico, a leitura da narrativa passa a ser considerada da perspectiva moderna que algo não poderia ter acontecido conforme o relato dos autores bíblicos. Por exemplo, se um estudo histórico moderno conclui que mestres não ensinavam por meio de parábolas, então intérpretes chegarão à conclusão que os autores bíblicos erraram em seus relatos, pois tal relato de parábolas não pode ter sido o que realmente aconteceu nos tempos do Novo Testamento. Em resumo, o “mundo real” passa a ser o mundo formado pelas lentes modernas, as quais passam a “desmistificar” ou descobrir o que é “verdade” ou “real” no relato bíblico. Assim, o relato das narrativas bíblicas passam a ser avaliados ou precisam se encaixar nessa nova perspectiva moderna histórica.

A Chegada do Pós-Modernismo

Hoje, uma inversão diferente tomou o lugar da inversão de postura observada por Frei. Com a chegada do que muitos se referem como a era “pós-moderna,” a ênfase passa a ser dada ainda mais para o leitor e intérprete do texto das Escrituras. Em outras palavras, o indivíduo passa a ocupar o papel central na tarefa de interpretar a narrativa bíblica. O resultado é que se o intérprete defende uma determinada posição teológica, ele interpretará o texto bíblico de uma forma que as Escrituras se “encaixem” com a posição defendida por ele.

Isso pode ser observado por desenvolvimentos observados na história recente da nossa sociedade. Por exemplo, se o desenvolvimento histórico propõe a permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e o intérprete concorda com tal desenvolvimento, então a postura aderida pelo intérprete partirá desse evento histórico para interpretar a narrativa bíblica. O resultado será uma reinterpretação da narrativa bíblica com o objetivo de conciliar tal narrativa com os acontecimentos históricos vistos no mundo, isto é, que a narrativa bíblica apóia tal interpretação e ensino. Textos que contrariam tal postura serão reinterpretadas com o fim de que se “encaixem” com o entendimento oferecido pelo mundo e o desenvolvimento histórico. Assim, a narrativa bíblica é entendida de acordo com o entendimento do mundo. A prioridade é dada para o mundo e os acontecimentos históricos conforme interpretados pelo leitor ou intérprete. A norma de interpretação é o desenvolvimento histórico do mundo em que vivemos.

Implicações

Essa intensificação da inversão na postura moderna com a chegada do pós-modernismo traz muitas implicações para a teologia cristã. A implicação mais óbvia ou fácil de reconhecer é relacionada a interpretações que seguem o exemplo dado acima. Especificamente, tradições cristãs passam a aceitar e ensinar doutrinas que antes da era moderna eram inaceitáveis diante de uma postura cristã de interpretação das Escrituras. Assim, cristãos que assumem essa postura “moderna” passam a interpretar a narrativa bíblica à luz de desenvolvimentos históricos da sociedade e do mundo que vivemos, o que resulta em aceitar casamento entre pessoas do mesmo sexo, ordenação de pessoas que vivem em pecado explícito, ou muitas outras coisas que a postura “pré-moderna” não aceitaria pelo motivo de priorizar a narrativa bíblica em contraste com os eventos históricos do mundo.

No entanto, essa inversão na postura interpretativa tem muitas implicações que são mais difíceis de serem percebidas. Uma dessas é a interpretação racional da escritura de acordo com métodos e categorias científicas ou filosóficas. Dentro desse tipo de interpretação bíblica, um dos exemplos mais conhecidos é o “histórico-crítico,” o qual usa de meios e conhecimentos racionais modernos para interpretar a narrativa bíblica. Nessa mesma linha, a teologia bíblica é reduzida a uma disciplina que precisa ser diferenciada e separada de outras disciplinas de estudo, isto é, precisamos separar teologia de politica, agropecuária, economia, etc. Mas, ainda acho que esses dois erros são facilmente identificados em nossos círculos teológicos como problemáticos. Por isso, não desenvolverei muito esses dois tipos de interpretação moderna das Escrituras.

Reducionismo da Narrativa Bíblica

A implicação mais comum que percebo atualmente dessa inversão de postura na interpretação da narrativa bíblica é o reducionismo da narrativa bíblica. O que seria um “reducionismo da narrativa bíblica”? Uma forma de explicar tal reducionismo é a redução da narrativa bíblica a meramente um aglomerado de informações que servem como prova para aquilo que eu acredito ou defendo como “verdade.” Nesse reducionismo, a interpretação da narrativa bíblica se torna um uso instrumental para dar base de preceitos ou ensinos que o intérprete já defende antes mesmo de estudar ou considerar o texto das Escrituras. Na prática, isso se caracteriza pela postura de um intérprete que já tem a conclusão sobre o ensino de um determinado texto bíblico antes de estudar o texto sob consideração. Por exemplo, um pregador que é encarregado de preparar a homilia (pregação) já tem um pré-conceito do texto dado a ele, e conclui o significado ou ensino desse texto antes de estudar a narrativa do texto em si.

Assim, o reducionismo da narrativa bíblica se dá quando o intérprete bíblico reduz o texto bíblico a esse “pré-conceito” ou entendimento pessoal. A ênfase já não é dada à narrativa bíblica. De fato, a narrativa se torna apenas uma prova daquilo que o intérprete quer ensinar a respeito das Escrituras. Em outras palavras, o intérprete parte do seu conhecimento pessoal sobre a narrativa e faz com que o texto bíblico “se encaixe” nessa pré-concepção que ele defende.

Reducionismo da Narrativa Bíblica

Essencialmente, observa-se que tal reducionismo da narrativa reflete exatamente a inversão da postura na interpretação da narrativa bíblica em relação aos acontecimentos históricos. Nesse caso, o intérprete prioriza o mundo dele acima da narrativa bíblica, e interpreta o texto bíblico à luz do seu entendimento pessoal ao invés de interpretar o seu mundo pessoal à luz da narrativa bíblica.

Isso não quer dizer que existe uma leitura “neutra” da narrativa bíblica. Tal ideia de uma interpretação “racional” ou neutra é uma ilusão. Nos termos usados por James Voelz em What Does This Mean?, todo intérprete da narrativa bíblica possui um “texto secundário” pelo qual ele entende e interpreta o texto das Escrituras. No entanto, isso quer dizer que, de acordo com uma postura “moderna,” o intérprete fará a escolha de priorizar o seu “texto secundário” ao invés de priorizar a narrativa bíblica. Especificamente, no reducionismo da narrativa isso significa que o interprete vai priorizar seu entendimento ao invés de adotar uma postura que busca aprender o significado da narrativa bíblica que a própria narrativa oferece ao leitor/intérprete.

Como ilustração de tal reducionismo, considere um intérprete adepto à postura “moderna” de interpretação da narrativa bíblica em relação ao consumo de carne por cristãos. Sendo a favor do consumo de carne, esse intérprete irá interpretar a narrativa bíblica de acordo com o seu pré-conceito sobre o tema ao invés de considerar a narrativa bíblica em todos os seus aspectos em relação a esse tema. O resultado será, por exemplo, que esse intérprete buscará passagens das Escrituras que apoiam a sua posição teológica ao invés de adotar uma postura que considera a narrativa bíblica como um todo. Mais especificamente, o intérprete “moderno” estará satisfeito em apontar para textos como Gênesis 9 (Deus dá animais como alimento para Noé e sua família após o dilúvio) ou ocasiões onde Jesus comeu carne de peixe como o suficiente para provar que consumir carne não somente é permitido mas a única opção correta de interpretação da narrativa bíblica. No entanto, por mais que este intérprete não esteja essencialmente errado ao afirmar que “não é pecado comer carne,” ele claramente demonstra uma postura moderna que inverte a postura do intérprete em relação ao texto bíblico.

Por quê? Primeiramente, porque este intérprete já havia concluído qual seria o ensino da narrativa bíblica antes mesmo de considerar o ensino da narrativa. Isto faz com que ele trate a narrativa bíblica somente como um aglomerado de informações que apoiam a “verdade” defendida por ele. Da mesma forma, este intérprete reduziu a narrativa bíblica meramente ao que ele “precisava” descobrir a fim de “provar” que o seu entendimento estava correto. Especificamente, ele falha em compreender todo o contexto da narrativa bíblica, na qual Gênesis 9 vem depois de Gênesis 1 (Deus dá árvores frutíferas para o ser humano comer e plantas para os animais comerem), de Gênesis 3 (queda em pecado) e Gênesis 6 (onde Deus se arrepende de ter criado o ser humano diante da maldade que esta criatura demonstrava em relação ao seu Criador e as outras criaturas). Igualmente, este intérprete “moderno” falharia também em reconhecer que a obra de Jesus Cristo não beneficia e traz esperança apenas para seres humanos, mas para toda a criação de Deus que geme diante da pecaminosidade que corrompe toda a ordem criada pelo Criador no início (Romanos 8).

Isto claramente não quer dizer, novamente, que este intérprete está errado em afirmar que Deus permitiu o consumo de carne, ou mesmo que não é pecado comer animais. No entanto, a postura desse intérprete diante da narrativa bíblica demonstra que tal intérprete reflete uma inversão da postura do intérprete bíblico diante do texto das Escrituras. O foco está no mundo do intérprete. A prioridade está no mundo do intérprete, e a narrativa bíblica precisa consequentemente se “encaixar” na pré-concepção do intérprete. Em uma palavra, o texto serve para o uso pessoal do intérprete a fim de provar que ele está certo, não mais para demonstrar uma história sobre o Deus Criador e como ele salvou toda sua criação do pecado trazido pelo ser humano. A narrativa bíblica é reduzida ao que o “eu” do intérprete entende do mundo, e portanto a narrativa precisa se “encaixar” na narrativa pessoal do intérprete ao invés do intérprete se encaixar dentro da narrativa bíblica.

Consequências para a Teologia

O resultado dessa inversão na postura diante da narrativa bíblica é um entendimento “moderno” das Escrituras. Em um dos seus últimos textos, Hans Frei contribui imensamente para nosso entendimento da interpretação bíblica ao escrever:

“O que está em jogo é a correta identificação do agente sob um esquema categórico de interpretação, não a correção ou indispensabilidade do esquema: o significado (meaning) da doutrina é a história ao invés do significado (meaning) da história ser a doutrina.”

Frei, Types of Christian Theology, 126.

O ponto feito por Frei é que a correta postura diante da interpretação da narrativa bíblica apresenta a narrativa como o significado das doutrinas. Em outras palavras, uma correta postura de interpretação das Escrituras apresenta a narrativa bíblica como o sentido ou razão pela qual as doutrinas existem, não o contrário. Isso significa que as doutrinas existem para servir à narrativa bíblica, não o contrário. De fato, a visão da narrativa bíblica como um instrumento para “provar” doutrinas é um entendimento distorcido e problemático das Escrituras. Explicitamente falando, as doutrinas servem a narrativa.

A prioridade de uma interpretação cristã da narrativa bíblica sempre foi e precisa continuar sendo no texto bíblico. Se caímos em uma inversão da postura de interpretação da narrativa bíblica, estaremos reduzindo a narrativa a pré-conceitos ou entendimentos humanos; ou ainda fazendo com que a narrativa bíblica “encaixe” em algum modelo moderno cientifico ou filosófico. Na minha opinião, isso já não é mais um modelo de interpretação cristã, mas sim uma adaptação de princípios modernos para entender a Palavra revelada por Deus e registrada nos livros que compõe as Escrituras.

Proposta de Solução

Precisamos voltar a um modelo “pré-moderno” ou “tradicional” da narrativa bíblica. Isso não significa ficar estagnado em métodos que já não auxiliam a interpretação do texto das Escrituras, ou não ajudam a proclamar a mensagem de Deus em Cristo de uma forma que seja entendida pela sociedade moderna. De forma alguma! No entanto, isso não significa aderir posturas modernas de interpretação do texto bíblico que reduzem a narrativa bíblica a um uso instrumental que favorece meus conceitos pessoais. A narrativa bíblica não existe para comprovar minhas opiniões teológicas.

A solução que proponho é apontar para uma postura em que a narrativa bíblica guia e orienta nossa interpretação dos acontecimentos históricos do mundo hoje. Especificamente, isso significa aderir à uma postura em que a prioridade é dada novamente à narrativa, e a partir da perspectiva da narrativa bíblica interpretar a vida e realidade contemporânea. Na prática, isso significa assumir uma postura de humildade diante da narrativa bíblica, isto é, uma postura na qual o intérprete não conclui o significado da narrativa antes de estudar a narrativa bíblica. Em outras palavras, isso significa pôr o texto das Escrituras acima da minha opinião pessoal. De fato, isso significa ter uma disposição diante da narrativa bíblica que entende o texto bíblico como fonte de ensino, não como “prova” para aquilo que eu acredito ser verdade.

Uma forma mais prática de entender essa solução é enfatizada pelo teólogo Joel Okamoto. Ele argumenta que precisamos retornar ao entendimento da narrativa bíblica como uma “história de tudo” (Story of Everything), não apenas pedaços de informações que dão base para certos dogmas que subscrevemos como igreja. Essa história de tudo considera a narrativa bíblica como um todo, isto é, como a história do Deus Criador e da sua criação. Tal entendimento nos leva a entender que as Escrituras não apresentam apenas provas de doutrinas mas sim uma história de um Deus Criador que criou o Universo, e que diante do pecado do ser humano não mede esforços para redimir e resgatar essa criação para si. Esse Deus manda seu Filho, que se torna uma criatura (isto é, parte da criação) a fim de redimir toda criação e dar a esperança de um futuro onde voltaremos ao estado de pureza que é e descrito em Gênesis 1 e 2. Tal entendimento considera uma história que começa em Genesis 1 e ainda não terminou, mas espera pelo último “episódio” no qual esse Deus Criador criará novos céus e nova terra, restaurando definitivamente toda a sua criação—tanto humanos quanto não-humanos.

Portanto, rogo aos intérpretes que lerem esse texto para que não caiam no erro da inversão da postura diante da narrativa bíblica. Sejam humildes, e permitam que Deus formate a sua teologia e toda a sua vida por meio das Escrituras. Não deixe que a tendência moderna oriente a sua interpretação bíblica, fazendo com que você priorize suas opiniões teológicas acima dos ensinamentos bíblicos. Que Deus dê o Espírito Santo para todos os intérpretes bíblicos que enfrentam o desafio e bênção de interpretar a narrativa bíblica.

Porquê Parei de Comer Carne

Hoje completo dois anos sem comer carne. Muitos dos meus amigos e familiares já ouviram a história por trás dessa decisão. Hoje resolvi escrever sobre isso a fim de compartilhar o motivo pelo qual desde então tenho não apenas cortado por completo o consumo de carne mas também incentivado amigos e familiares a fazer o mesmo.

A verdade é…

Sempre gostei de carne. Na verdade, eu nunca pensei que um dia eu deixaria de comer carne. Nunca. Isso porque eu cresci em uma família com raízes sulistas na qual o churrasco fazia e ainda faz parte da tradição familiar semanal. Domingo sem churrasco não era domingo. Celebrações sem churrasco não eram celebrações de verdade.

Além do churrasco, eu cresci vivenciando uma “liturgia” diária na qual uma das primeiras coisas que minha mãe fazia cedinho de manhã era descongelar um “pedaço de carne” para o almoço. Refeições podiam variar, mas sempre havia carne para comer.

Eu era uma pessoa que julgava e caçoava de pessoas que decidiam não consumir carne. Afinal, que motivo seria bom o suficiente para se privar de comer algo tão maravilhoso? Sempre estive convicto que tal motivo não existia.

Então, sem estar procurando, e honestamente sem querer encontrar, o dia que eu encontrei um motivo para parar de comer carne chegou. Claro que isso não aconteceu como um ato mágico, e eu definitivamente resisti aceitar que esse poderia ser realmente um motivo para não comer carne.

Na verdade, foi um processo. Primeiro, aprendi que comer carne vermelha não era a melhor opção para uma alimentação saudável, e que na verdade podia ser nociva para a saúde. Com a finalidade de melhorar minha alimentação, eu passei então a consumir carnes brancas, como peixe e frango. No entanto, descobri que essa não era uma opção sem suas desvantagens, pois havia muitas toxinas na carne de peixe, e em seguida sobre hormônios em carne de frango.

Mas, sejamos sinceros: quem se importa? Todos vamos morrer um dia, não é mesmo? É melhor aproveitar o que há de bom na vida já que vamos morrer de qualquer jeito. Assim, continuei consumindo carne e insistindo que essa era a forma de aproveitar o tempo de vida que Deus estava me dando aqui no mundo.

Eu insisti nesse pensamento por algum tempo. E, todas as vezes que eu descobria mais motivos para cortar o consumo de carne, eu reafirmava para mim mesmo que esses motivos não eram suficiente para parar. Parafraseando o antigo ditado pagão citado por Paulo em 1 Coríntios, comerei e beberei, porque amanhã morrerei.

Mas…

Até que um dia, através da minha pesquisa de mestrado em teologia, eu aprendi mais a respeito do processo de produção de carne, bem como os impactos dessa produção para o mundo e todos aqueles que vivem nesse mundo.

Não havia como ignorar tudo aquilo que eu havia aprendido. Como eu poderia continuar fazendo parte de um sistema que desconsidera o propósito da criação de Deus? Como poderia continuar contribuindo para um sistema de produção que polui, desmata, destrói a criação de Deus, a qual eu acredito que ele criou e me chamou para cuidar como sua criatura redimida?

Ao mesmo tempo, eu não consegui ignorar o impacto desse sistema de produção na vida dos seres humanos que Deus me chamou para amar e ser um sacrifício vivo a fim de ajudar nas suas necessidades. Diante disso, como eu poderia continuar consumindo algo que impacta negativamente a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo apenas para que eu possa comer algo que me satisfaz?

Tenho que admitir que, no princípio, o meu orgulho não deixou que eu reconhecesse que era necessário repensar meus hábitos alimentícios. Uma das coisas que eu não conseguia parar de pensar era, “O que as pessoas vão dizer de mim? Que me tornei um daqueles ‘malucos’ e ‘estranhos’ que não come carne?” Pensando na minha família, só conseguia pensar no que meus pais e parentes falariam sobre isso. Como visitarei meus pais e não comer churrasco com eles?

Ao mesmo tempo, não podia continuar fazendo algo que sentia que ia contra aquilo que eu estava convencido que fui chamado a fazer. O que poderia ser feito?

A solução foi aderir a uma ideia que na época “caiu como uma luva” para o impasse que eu tinha diante de mim. Li sobre o “Julho sem plástico,” campanha para diminuir a poluição no mundo. No entanto, em 2018 houve uma campanha feita juntamente com o Julho sem plástico, a qual convidava para um “Julho sem carne.”

Ahá! Achei a “desculpa” que eu precisava. Depois de convencer a minha esposa de aderir à essa “loucura” comigo, anunciamos que cortaríamos a carne naquele mês. A grande pergunta que passava pelas nossas cabeças e nas conversas com amigos era, “Será que sobreviveremos?”

Uma semana depois, eu e a minha esposa estávamos tão animados com a ideia que cortamos todos os produtos animais. “Veganos por um mês,” pensamos. Isso levou a um ano sem consumo de produtos animais (carne, leite, queijo, etc.), e depois mais um ano sem consumo de carne.

O que poderia levar alguém a fazer isso?

O Motivo

Eu poderia dizer que fui convertido ao “extremismo” que defende o meio ambiente. Algumas pessoas já deram a entender que eu me tornei um “eco-freak.” Sem fugir da acusação, eu realmente acredito que eu preciso cuidar do meio ambiente, e ver a minha decisão de cortar o consumo de carne como um extremismo seria uma possível opção para entender o que tinha acontecido comigo em meio ao contexto agricultural de onde venho no Mato Grosso.

Outra opção seria pensar que sou um “medroso” que quer cuidar da saúde acima de tudo, e para isso prefere sacrificar “os prazeres que a vida tem a oferecer.” Essa opção também poderia ser válida, principalmente se considerarmos que para muitas pessoas ”ser feliz” é sinônimo de comer aquilo que queremos e que nos traz satisfação. De acordo com essa visão, cuidar da saúde significa sacrificar tudo aquilo que há de bom na vida.

Embora estas sejam opções válidas, nenhuma delas teria o poder de me levar a fazer a decisão que eu fiz. Afinal de contas, além de ter raízes sulistas, eu sou descendente de alemães. Teimosia faz parte da minha natureza.

Mas, qual o motivo para eu ter parado de comer carne?

O motivo para eu parar de consumir carne e atualmente reduzir o consumo de leite ao “queijo da pizza de sexta-feira” foi a minha confissão de fé em Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo.

Mas, o que uma coisa tem a ver com a outra? Permita-me explicar o que eu quero dizer.

Sendo cristão, eu creio que Jesus Cristo é o verdadeiro e único Filho de Deus. Isso significa que eu creio na mensagem que ele anunciou e na obra que ele completou quando se tornou um ser humano para fazer a vontade do seu Pai e redimir a criação que havia caído em pecado. Mais especificamente, eu creio que Jesus Cristo—pela sua incarnação, vida, ministério, sofrimento, morte, e ressurreição—redimiu toda a criação, isto é, os “céus e a terra” e tudo o que há neles. Em outras palavras, tudo o que foi criado no início (Gênesis 1.1) foi redimido em e por meio de Cristo.

Um dos principais ensinos deste mesmo Jesus Cristo foi enfatizar que devemos amar o próximo como a nós mesmos. Especificamente, isso significa cuidar daqueles que estão em necessidade, defender os injustiçados, orar por eles, e sempre que possível agir de uma forma que favoreça aqueles que vivem ao meu redor. Em uma palavra, sou chamado para ser um instrumento, e creio que Deus Pai ensinou que, por meio do seu Filho Jesus Cristo, eu como cristão—uma criatura redimida—devo viver uma vida de amor ao próximo.

Isso não significa apenas sentir pena por quem está sofrendo. Isso também não significa apenas dar esmolas para alguém pedindo no semáforo. Isso significa ter uma vida inteira orientada para esse chamado, isto é, uma vida dedicada a amar o próximo, sendo um instrumento do amor de Deus para o mundo que ele tanto amou por meio do seu Filho.

Eu estou convencido que hoje isso significa, de uma forma bem concreta e objetiva, reduzir o consumo ou mesmo parar de consumir produtos animais. Sim, eu estou dizendo que uma forma pela qual nós podemos amar o próximo hoje é cortando o consumo de carne, leite, queijo, etc. E aqui vai o porquê.

Por que?

Primeiramente, entender o corte do consumo de produtos animais como amor ao próximo hoje é uma questão de testemunho. Pregar, confessar, ensinar, etc. que Cristo disse para a sua Igreja que deveríamos amar o próximo e ao mesmo tempo participar de algo que traz morte, doença, e destruição para o mundo que ele criou e para as pessoas que somos chamados a amar não faz sentido. Uma coisa simplesmente não encaixa com a outra.

Não podemos dizer é parte da identidade cristã amar o próximo e ao mesmo tempo agir de uma forma que mata o próximo. É a mesma coisa que ser pró-vida e matar alguém na primeira oportunidade que temos.

Quando você consome produtos animais, você está (na maioria das vezes) apoiando um sistema que traz morte e destruição a pessoas que estão envolvidas com essa produção. Certamente eu não estou me referindo ao “seu João” que cria seus próprios bichinhos para consumo próprio. Eu me refiro aos produtos que compramos em mercados, os quais procedem de locais que trazem poluição, contaminação, doenças, mortes, etc.

Eu não vou citar artigos aqui para “provar” a base do que eu estou falando, por mais que ficarei feliz em providenciar referências para quem desejar. No entanto, pesquise você mesmo os impactos daquilo que você está consumindo. Garanto que você se surpreenderá com o que você vai achar. Atualmente, há taxas altas de suicídio entre trabalhadores de abatedores, poluição pelo descarte da água utilizada para abatimento dos animais, desmatamento para criação de mais animais. E a lista continua…

Outro motivo porquê cortar o uso de produtos animais é um ato de amor ao próximo é o aquecimento global. Eu sei que você pode ter lido nos grupos de WhatsApp que o aquecimento global não existe. Quem dera se isso fosse verdade! No entanto, fora do WhatsApp a realidade é que milhões de pessoas morrem anualmente por consequências do aquecimento global.

Enchentes, secas, temperaturas altíssimas que chegam perto de não ser possível ter vida humana, nível dos mares subindo, além de doenças causadas por poluição de ar, água, e terra. Mais especificamente, pare pra pensar em quantas doenças nós tivemos na última década por razões de consumo de produtos animais. Várias epidemias, e agora ainda enfrentamos uma pandemia. De fato, nem mesmo achamos a solução para a pandemia atual e especialistas estão alertando para uma nova pandemia transmitida pelo porco.

O último aspecto que nos ensina que explica que cortar o consumo de produtos animais é um ato de amor ao próximo é o fato que biblicamente não somos apenas chamados para amar o próximo humano mas também o próximo não-humano.

Sim, a criação como um todo foi redimida e amada por Deus em Cristo. Além de destruir com a criação que vivemos, o sistema de produção atual de produtos animais tem um desrespeito profundo por tudo aquilo que Deus o Criador criou e declarou como “muito bom.”

Isso porque animais são vistos totalmente como instrumentos para gerar dinheiro. Em menos de 30 dias, um pintinho sai de um ovo e se torna um frango adulto pronto para o abate. Para que isso aconteça, ele não conhece o que é dormir, o que é viver embaixo de uma árvore, o que é correr. Ele só sabe comer um alimento cheio de produtos que vão fazer ele crescer de uma forma que ele nunca cresceria. De uma forma pela qual Deus não criou ele para crescer. O mesmo acontece com porcos, que vivem a vida inteira em uma jaula na qual nem mesmo podem se virar.

Essa é a nossa sociedade e sistema de produção atual. Animais se tornam objetos. Pessoas se tornam matéria de trabalho. A criação se torna um instrumento que seres humanos pensam que podem fazer o que eles querem. Logo, o que guia a vida de consumo não é amor ou mesmo necessidade mas sim ganância e idolatria, usando tudo e todos para o meu benefício.

Por isso, eu parei de comer carne, e espero cortar o consumo de queijo uma vez por semana que tenho atualmente. Tudo isso não porque eu tenho uma ideologia que me orienta a fazer isso, mas porque eu percebi que reduzir e cortar o consumo de produtos animais faz parte da minha vida de amor ao próximo.

Por fim, decidi seguir o chamado de amar o próximo diante da situação que temos atualmente no mundo. Ouvir a Cristo ao invés do meu desejo pessoal de me satisfazer foi uma decisão difícil, mas que foi definitivamente uma decisão que me fez e ainda me faz muito feliz.

E você, já pensou em como você pode reduzir o seu consumo de carne hoje? Eu ficaria muito feliz de falar com você sobre isso e contar mais sobre a minha experiência.