Abuso Sexual Infantil e Cristãos

Diante de um recente caso de abuso sexual infantil ocorrido no estado do Espírito Santo, muitos cristãos agiram de forma lamentável em suas redes sociais. Esse texto fala sobre os três piores erros cometidos por cristãos na internet em relação a esse caso de abuso sexual infantil, e oferece qual deveria ser uma postura cristã diante de casos como esse.

Há algumas semanas, um caso de abuso sexual infantil ocorrido no estado do Espírito Santo repercutiu o Brasil inteiro. Uma menina de 10 anos sofria abusos do próprio tio desde os 6 anos de idade, os quais resultaram na gravidez dessa menina. Quatro anos sofrendo não somente abusos físicos mas também abusos psicológicos, pois o violentador a ameaçava para que essa criança permanecesse em silêncio. Um caso muito triste, muito delicado, e muito difícil de “digerir” e refletir de uma perspectiva cristã.

Alguns amigos cristãos comentaram comigo a decepção que eles tiveram a respeito das atitudes de cristãos com respeito a esse caso de abuso sexual infantil. Ao ouvir a preocupação dos meus amigos, pesquisei sobre quais foram as respostas de cristãos na internet em relação a esse caso.

O resultado foi lamentável. Houve erros muito sérios na postura de cristãs sobre esse caso de abuso. Eu fiz um vídeo no meu canal do YouTube sobre os 3 piores erros que eu vi cristãos fazerem na internet. Clica no vídeo e confere o que eu falei lá!

Novo vídeo no “Cristão na Mídia”.

Os 3 erros foram:

  • falar que a menina “gostou de ser abusada”;
  • protestar e tentar invadir um hospital;
  • fazer descaso ou agir com indiferença.

Ao meu ver, tais erros são deploráveis. Um não é pior do que o outro. Porém, em minhas redes sociais e entre as pessoas que eu tenho contato da minha denominação cristã no Brasil, o terceiro erro foi o mais comum.

Vários pastores e membros da igreja olharam para esse caso horrível de abuso sexual, e infelizmente a única preocupação demonstrada foi em relação ao término da gravidez dessa criança de 10 anos. A postura adotada diante disso não foi de compaixão, empatia, sofrer com os que sofrem, chorar com os que choram (Romanos 12). Não. A postura foi na maior parte de julgamento, com um tom condenatório.

Várias pessoas responderam a esse caso de abuso sexual e tudo o que envolveu essa perversidade apenas apontando para um documento da igreja que fala sobre aborto. Não quero ignorar o fato do aborto, e a necessidade que temos de refletir sobre esse assunto delicado como igreja. No entanto, ignorar todo o sofrimento, a maldade, a perversidade de um caso como esse, e responder apenas ao aspecto do aborto foi algo que me deixou triste e preocupado.

No mínimo, se queremos responder a um caso como esse, que possamos oferecer uma resposta que aborde TODOS os acontecimentos, e não apenas aquilo que nos apetece falar—principalmente se for para reforçar uma posição que comumente é tida contra a prática do aborto. Tudo tem seu espaço e necessidade. Mas, não podemos fazer isso de maneira rasa e mal feita.

Primeiramente, eu acho que a atitude cristã diante de um caso como esse deveria ser de

– se comover com a família que está vivendo um pesadelo;

– lamentar e orar pelo trauma que essa criança tem desde os seus 6 anos de idade;

– orar a Deus confortar as muitas pessoas que sofrem abusos;

– protestar por medidas que protejam as vítimas de uma sociedade onde 76% dos abusos sofridos por pessoas vulneráveis são cometidos por algum parente ou conhecido da família.

Minha dica: se você é cristão e não sabe como pensar ou qual deveria ser a sua postura diante de um caso difícil como esse, não vá para as suas redes sociais para disseminar ódio ou falar a primeira coisa que vem na sua cabeça. Isso não ajuda a missão da igreja de testemunhar para o mundo o amor e a salvação dada por nosso Senhor Jesus.

O que você pode fazer nesse momento?

Feche as suas redes sociais. Esse não é um momento para falar com outros na rede social, mas sim com Deus em oração. Peça a ele que dê sabedoria tanto para você quanto para outros cristãos que também estão com dificuldades de refletir sobre o assunto. Ao mesmo tempo, sempre é uma boa ideia perguntar para o seu pastor ou outros teólogos da igreja como pensar sobre isso. Nem tudo é simples e óbvio. É necessário refletir muito antes de começar a falar sobre algo tão complexo como esse caso de abuso sexual infantil.

Que Deus ilumine e dê sabedoria a todos nós a fim de refletirmos o amor e misericórdia dele ao nosso próximo que sofre pela realidade do pecado.

Igreja na Internet?

A Igreja Cristã deve estar na internet? Embora muitas pessoas ainda têm receio quanto a essa ideia, cada vez mais crescem os motivos para a Igreja engajar nas mídias atuais. Esse texto trata de motivos pelo qual a Igreja Cristã deveria estar mais presente na internet, especialmente visando a missão de proclamar a mensagem de salvação a todas as nações. Bem como Jesus disse que a colheita é grande e os trabalhadores são poucos (Mateus 9.37), assim também o desafio de ser Igreja na internet é grande, mas as pessoas interessadas são poucas.

Durante a minha formação ministerial, tive a oportunidade de fazer um estágio de um ano na cidade de São Paulo. Naquela ocasião, me lembro de uma certa reflexão entre os pastores do Distrito Paulista a respeito da necessidade de mais congregações na cidade. “Uma cidade de 13 milhões de habitantes, e temos apenas 10 congregações. Precisaríamos de mais pessoas trabalhando aqui,” comentávamos na ocasião. De fato, há bairros que careciam de igrejas cristãs, e nos preocupávamos com essa necessidade.

De uma forma parecida, o mundo virtual atualmente apresenta dados desafiadores e impressionantes, os quais deveriam convidar a Igreja Cristã a refletir cada vez mais sobre a missão de levar a Palavra de Deus a todas as nações. Conforme uma palestra que ouvi semana passada, atualmente mais da metade da população mundial tem acesso à internet. Tal dado reflete em um aumento exponencial de pessoas se conectando a redes sociais. Em uma “cidade virtual” tão grande como essa, quanta missão nós estamos fazendo?

Considere o YouTube, por exemplo. Essa rede social possui mais de 2 milhões de pessoas com contas registradas, o que já é um número muito grande. No entanto, quando vemos o número de pessoas que acessam essa rede todos os meses, esse número é MUITO maior. Isso porque o YouTube possui uma média mensal de 2,5 BILHÕES de acessos. Você sabia disso?

Agora, imagina um lugar que recebe aproximadamente 2,5 bilhões de visitas de pessoas por mês. Será que a Igreja não deveria estar mais presente nesse lugar?

Isso não quer dizer que não há cristãos e teólogos cristãos no YouTube, ou mesmo em outras redes sociais. Fico feliz em ver que cada vez mais a Igreja está investindo em formas de estar presente nas mídias. No entanto, é o suficiente?

Eu acredito que ainda há muita coisa a ser feita por cristãos em meio ao mundo virtual que existe na internet. À luz desse desafio, eu comecei um canal no YouTube. Há algum tempo eu tinha vontade de fazer isso, mas nunca me senti confortável o suficiente para realmente fazer algo. A minha esposa me incentivava a fazer videos há algum tempo. Honestamente, nunca achei que algum dia eu realmente faria vídeos. Mas, essa semana me rendi à ideia, e estou animado.

Se você ainda não conferiu o canal ou viu o primeiro vídeo que postei lá, clica no vídeo abaixo para conferir o vídeo no YouTube.

Primeiro vídeo do meu canal no YouTube, “Cristão na Mídia.”

A ideia do canal é simples: refletir sobre assuntos e temas atuais a partir de uma perspectiva cristã.

Bem como Jesus disse que a colheita é grande e os trabalhadores são poucos (Mateus 9.37), assim também o desafio de ser Igreja na internet é grande, mas as pessoas interessadas são poucas. No entanto, cada vez mais eu vejo cristãos—especialmente teólogos cristãos—se interessando nesse desafio de estar presente nas mídias. Estou confiante que coisas boas estão por vir.

Infelizmente, ser cristão e estar na mídia não quer dizer que todo o conteúdo oferecido por cristãos é “cristão”. Há muito erro que precisa ser evitado, e uma postura muitas vezes problemática nas mídias da parte de cristãos. Assim, o que pode ser uma benção pode se tornar um “tiro no próprio pé”, como dizia um professor meu.

Se Deus assim quiser, eu serei uma voz cristã na mídia que refletirá minha fé em Cristo, e ajudará outros a ver a obra dele para a salvação do mundo.

Claro, eu continuarei postando textos aqui no blog. Para todo vídeo que eu postar no YouTube, postarei também um texto aqui para falar sobre o assunto que eu abordei no vídeo.

Fica o meu convite para você acompanhar o canal no YouTube, bem como os textos que postarei aqui!