Suicídio: Como Ajudar, Identificar, e Prevenir?

O suicídio mata milhões de pessoas todos os anos no mundo, e muitas vezes aqueles que estão ao redor de pessoas com pensamentos suicidas não estão preparados para reconhecer ou ajudar essas pessoas que estão enfrentando problemas com o suicídio.

Nesse texto eu vou compartilhar algumas dicas sobre como identificar pessoas que estão considerando o suicídio, bem como maneiras de você ajudar essa pessoa. Em especial, esse texto pode ser de grande ajuda para pastores, os quais muitas vezes são as pessoas procuradas por aqueles que consideram o suicídio. Afinal, como podemos ajudar as pessoas ao nosso redor em relação ao suicídio?

Essa semana eu publiquei um vídeo falando um pouco sobre o tema. Clica e assista abaixo.

Setembro Amarelo | Cristão na Mídia, YouTube

Na descrição desse vídeo no YouTube você pode encontrar recursos para saber mais sobre como previnir e lidar com o suicídio.

Um desses materiais que está disponível em um dos links desse vídeo é um livreto da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o qual oferece muita informação sobre como identificar e ajudar pessoas que estão considerando o suicídio.

Um dos aspectos mais importantes que esse livreto da ABP destaca é a necessidade de ouvir e buscar entender as emoções, sentimentos, e tudo aquilo que está acontecendo com a pessoa diante de nós, a qual está buscando ajuda para a dor e o sofrimento que ela está sentindo. Dessa forma, vemos aqui um dos aspectos principais e ao mesmo tempo mais básico do aconselhamento pastoral (ou mesmo de um bom relacionamento humano), o qual é saber ouvir alguém com paciência, com atenção, com interesse, com carinho e amor.

Tal ouvir não é simples. Isso porque normalmente ouvimos as aflições de outras pessoas com curiosidade e não com a atenção necessária. Frequentemente, ouvimos outra pessoa com o simples objetivo de responder com algum comentário inteligente, ou mesmo a fim de oferecer uma solução para o problema que está sendo compartilhado conosco. Ouvir com atenção, paciência, e carinho, não segue esse padrão. Saber ouvir nesse contexto significa abrir bem os ouvidos e entender a dor, o sofrimento, a angustia, as expectativas, as frustrações, a esperança, a falta de esperança, etc. Em poucas palavras, ouvir dessa forma exige prestar atenção a toda a história da pessoa por amor a ela, não a nós mesmos.

Por que ouvir essa forma é importante? Porque ouvir e demonstrar que você realmente está ouvindo a fim de entender, cuidar, e ajudar a pessoa pode ser uma das fases mais importantes em ajudar alguém que está sofrendo e considerando o suicídio. Segundo a ABP, é através desse ouvir ou contato verbal que uma pessoa pode sentir alivio ou esperança que alguém pode ajudar, ou desistir achando que ninguém é capaz de trazer alívio. Como a ABP afirma,

“O manejo [de uma situação de suicídio] se inicia durante a investigação do risco. A abordagem verbal pode ser tão ou mais importante que a medicação. Isso porque faz com que o paciente se sinta aliviado, acolhido e valorizado, fortalecendo a aliança terapêutica.”

Suicídio: Informando Para Previnir, 29. (Clique aqui para acessar o livreto da ABP.)

A importância dessa abordagem verbal já foi ilustrada até mesmo em séries de TV com muita repercussão. Provavelmente a mais conhecida aconteceu na série “13 Razões Porque” (13 Reasons Why) da Netflix. Nessa série, uma jovem adolescente procura ajuda de um profissional terapêutico, o qual não ofereceu este ouvir com atenção que estamos nos referindo aqui. Devido à falta de abertura, a jovem acredita que não há nada a ser feito, e acaba se suicidando.

Por isso, saber ouvir é essencial na prevenção ao suicídio. Em meio à tanta correria do nosso dia a dia que dá uma impressão que não temos tempo para nada, nós precisamos “pisar no freio” e prestar atenção para as pessoas que nós amamos. Aliás, você já parou para ouvir atenciosamente alguém que você ama hoje? Não deixe para começar a fazer isso quando for tarde demais.

Além de ouvir, no entanto, há algumas dicas que a ABP oferece nesse livreto sobre suicídio e prevenção. Uma delas se refere a como investigar se alguém está sob o perigo de suicídio. Nesse caso, é necessário que eu deixe claro que as informações da ABP são para profissionais de saúde que podem não estar preparados para ajudar pessoas que vão até eles pedindo ajuda. Por isso, é necessário ter muito cuidado com informações como essa, especialmente se a considerarmos com uma postura incorreta.

Ao mesmo tempo, a abordagem oferecida pela ABP pode ajudar muito aqueles que encontram pessoas que consideram o suicídio, principalmente em identificar o perigo do suicídio e ajudar essas pessoas a buscarem um especialista que pode continuar a ajudá-las nessa situação. Especialmente, eu acredito que a abordagem oferecida pela ABP para médicos pode ser um grande instrumento para pastores em sua missão de identificar riscos de suicídio entre as pessoas da sua congregação. Isto porque pastores estão frequentemente envolvidos em aconselhamento, e as pessoas de uma congregação normalmente confiam muito em seus pastores. Assim, essas pessoas podem ser muito honestas sobre a sua intenção de suicídio para o pastor, o que exige do pastor ser capaz de ouvir com atenção e identificar o perigo do suicídio, sendo parte crucial na prevenção ao suicídio. Ao mesmo tempo, a ausência dessa identificação pode fazer com que a prevenção se torne mais distante, e o perigo do suicídio pode vir a crescer.

O trecho a seguir faz parte do livreto da ABP que fala sobre como identificar o perigo de suicídio por meio de algumas perguntas.

“O profissional de saúde não deve ficar receoso de investigar se aquele paciente tem risco de suicídio. O tema deve ser abordado com cautela, de maneira gradual. As perguntas devem ser feitas em dois blocos: o primeiro para todos os pacientes, e o segundo apenas para aqueles indivíduos que responderam às três perguntas iniciais que sugerem, pelas respostas, um risco de suicídio.
São seis perguntas fundamentais em cada consulta, sendo três delas para todos os pacientes:
1. Você tem planos para o futuro?
A resposta do paciente com risco de suicídio é não.
2. A vida vale a pena ser vivida?
A resposta do paciente com risco de suicídio novamente é não.
3. Se a morte viesse, ela seria bem-vinda?
Desta vez a resposta será sim para aqueles que querem morrer.
Se o paciente respondeu como foi referido acima, o profissional de saúde fará estas próximas perguntas:
4. Você está pensando em se machucar/se ferir/fazer mal a você/em morrer?
5. Você tem algum plano específico para morrer/se matar/tirar sua vida?
6. Você fez alguma tentativa de suicídio recentemente?”

Suicídio: Informando Para Previnir, 29-30. (Clique aqui para acessar o livreto da ABP.)

Novamente, precisamos reconhecer que essas perguntas foram formuladas para ajudar profissionais de saúde a identificar pacientes com risco de suicídio a fim de poder auxiliá-los a buscar ajuda profissional de um terapeuta. Qualquer pessoa que não tem o treinamento necessário para fazer esse tipo de abordagem deve ser muito cautelosa ao tentar usar esse material.

No entanto, note a sutileza das três primeiras perguntas. Embora tenham sido preparadas para médicos, a genialidade das perguntas permitem que até mesmo pessoas que não têm treinamento profissional possam identificar se há ou não tendências suicidas em uma pessoa. Isso porque as perguntas podem ser feitas em meio à uma conversas diárias que temos com as pessoas que nos cercam. Especialmente, a primeira pergunta fala sobre os planos par ao futuro, e qual a esperança de vida daquela pessoa com quem estamos conversando. Eu não poderia pensar em uma maneira melhor de introduzir o assunto do que por meio dessa pergunta.

Note também que estamos falando sobre identificar o risco de suicídio a fim de ajudar alguém que está em risco de se suicidar. No entanto, identificar o risco por meio dessas perguntas é apenas parte do que precisamos fazer para ajudar alguém em risco de suicídio. Além disso, é necessário ajudar essa pessoa a encontrar ajudar profissional para que ela possa fazer um tratamento e se sair do risco do suicídio.

Isso é importante porque eu sei que eu não sou capacitado para ajudar alguém a sair do risco de suicídio. Como cristão e teólogo, eu posso e quero orar por alguém sofrendo com os riscos do suicídio, mas sei que somente um profissional da área da psiquiatria pode realmente ajudar essa pessoa com um tratamento específico para a situação. Por isso, se as perguntas podem nos ajudar a identificar alguém com riscos de suicídio, nós então precisamos ajudar essa pessoa também encontrando um profissional que pode ajudar ela.

Assim, há três maneiras que podemos ajudar em uma situação de suicídio:

👉🏼 Ouvindo com atenção, carinho, e cuidado;
👉🏼 Investigando por meio de perguntas que podem apontar para o risco de suicídio;
👉🏼 Encontrando alguém que pode ajudar a pessoa com riscos de suicídio.

Por meio dessas três maneiras, eu e você podemos ajudar na prevenção do suicídio, dando forças e alivio para quem vive ao nosso redor.

Espero que esse texto tenha ajudado você a entender mais e se preparar mais para previnir o suicídio e ajudar as pessoas que estão sob o risco de se suicidar. Não esqueça de conferir o vídeo acima, e visitar o mesmo no YouTube, onde você vai encontrar mais materiais sobre o assunto.

Observação: eu não sou profissional em psiquiatria e não tenho especialidade na área. Esse texto é uma apropriação minha de um material oferecido pela Associação Brasileira de Psiquiatria a partir de uma visão teológica, na qual eu tenho a intenção de ajudar outras pessoas na igreja a se prepararem e contribuirem para a prevenção ao suicídio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s