A Bancada Evangélica Realmente Representa os Cristãos na Atual Política Brasileira?

A “bancada evangélica” é considerada por muitos como os representantes dos cristãos na política atual do Brasil. Mas, será que esses parlamentares realmente representam os cristãos na atual política brasileira?

No vídeo dessa semana eu abordo essa pergunta que, ao meu ver, precisa ser refletida por todos os cristãos no Brasil. Assista o vídeo abaixo, ou clique aqui para assistir no YouTube.

Vídeo sobre a Bancada Evangélica no Cristão na Mídia, YouTube.

Nesse vídeo, eu observo que desde a sua criação em 2003 a postura e função da bancada evangélica no Congresso Nacional não tem sido tão “cristã” como muita gente acredita. Isso porque os membros da bancada evangélica têm provado serem tão corruptos como qualquer parlamentar que não é evangélico. Já durante o primeiro mandato em que o grupo foi criado (2002-2006), vários membros da bancada evangélica foram condenados ou processados por envolvimento no escândalo do Mensalão e máfia das ambulâncias, além de vários outros casos de propina, desvio de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação de imposto, entre outros vários crimes de corrupção.

Embora alguém possa responder que tal postura é apenas uma realidade do passado, a postura dos atuais membros da bancada evangélica tem mostrado que pouca coisa mudou. Por exemplo, o atual líder da bancada evangélica no Congresso, Sílas Câmara, já “foi acusado de apropriação indevida, de falsificação de documentos, de empregar funcionários fantasma, de corrupção passiva, entre outros.”

Outro exemplo de postura corrupta não-cristã ganhou repercussão nacional recentemente, quando a deputada Flordelis foi presa como principal suspeita de liderar o assassinato do próprio marido, o qual era pastor. Segundo várias fontes da internet, a deputada haveria afirmado que não podia se separar do marido porque isso traria desonra para Deus. Ironicamente, a deputada não acha que assassinar o marido traga desonra para Deus.

Posturas como essas refletem o que autores já apontaram em publicações recentes, como é o caso da jornalista Andrea Dip em seu livro Em Nome de Quem? A bancada evangélica e seu projeto de poder, que os projetos desse grupo de parlamentares demonstram interesse não em apoiar ou promover valores e princípios cristãos, mas sim usar o apoio do eleitorado cristão para conseguir uma única coisa: poder. Como o historiador Guilherme Galvão observa,

“Ao analisarmos o comportamento da representatividade evangélica no Congresso Nacional, é possível constatarmos, de certo modo, que ela não faz jus às demandas deste importante segmento social. Majoritariamente ausente, de produção legislativa pouco relevante, infiel partidariamente, envolvida em diversos inquéritos e processos judiciais de naturezas diversas, financiada por grandes corporações, dentre elas a farmacêutica e a bélica , a atuação da bancada evangélica no corte temporal aqui representado (1982-2006) foi no sentido de enfraquecimento do papel do Estado diante das demandas sociais de seus eleitores, no caso, as camadas sociais menos favorecidas da população brasileira 9 10, posicionando-se contra programas de distribuição de renda e denunciando o “Estado paternalista”, apresentando propostas e votando favoravelmente à educação privada, planos de saúde, agronegócio, empresas de vigilância, sindicatos patronais, empresas de comunicação e ao lobby das indústrias farmacêutica, bélica, petroquímica e alimentícia.”

Lopes, 2015, p. 4.

O historiador conclui,

“De certo modo, podemos inferir que a maioria da bancada evangélica não defende os interesses de seus representados, mas os interesses de grupos alheios a este segmento, utilizando temas morais e religiosos apenas como pano de fundo para outras atividades.”

Lopes, 2015, p. 5.

Essencialmente, a bancada evangélica representa não a fé cristã ou aqueles que confessam essa fé, mas representam apenas o seu interesse próprio que é motivado por uma busca incessante de poder, pelo qual estes buscam não o bem comum de todo o país mas sim o bem de setores empresariais de renda multibilionário.

Não, a bancada evangélica não representa os cristãos. Eles não buscam implantar valores e princípios cristãos, mas sim trazem vergonha para a fé cristã e se tornam um desserviço à missão da Igreja Cristã no Brasil.

Assim, é importante lembrar que votar em um candidato cristão não significa que você terá um representante cristão no governo. Se você é cristão, você vai apoiar valores e projetos cristãos não candidatos cristãos. Esses dois aspectos podem até ser interligados, mas nem sempre é algo óbvio. Ser cristão em meio à atual realidade do Brasil não significa simplesmente apoiar cristãos nominais na política, mas sim pessoas que refletem princípios e valores cristãos para o bem comum da população e de toda a criação de Deus.


Referências consultadas:

“Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional.” (https://www.camara.leg.br/internet/deputado/frenteDetalhe.asp?id=54010).

“Bancada Evangélica.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Bancada_evang%C3%A9lica).

“Vinde a mim os eleitores: a força da bancada evangélica no Congresso.” (https://veja.abril.com.br/politica/vinde-a-mim-os-eleitores-a-forca-da-bancada-evangelica-no-congresso/).

“Bancada BBB.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Bancada_BBB).

Guilherme Esteves Galvão Lopes. “Por que os evangélicos não mudaram o Brasil? Análise histórica da atuação evangélica no Congresso Nacional (1982-2006).” (http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1434399809_ARQUIVO_PorqueosevangelicosnaomudaramoBrasil.pdf).

“Bancada Evangélica: qual a contribuição para a política nacional?” (https://comunhao.com.br/bancada-evangelica/).

“Silas Câmara vai liderar Bancada da Bíblia.” (https://www.dn.pt/mundo/silas-camara-vai-liderar-bancada-da-biblia-10734395.html).

“Em nome de Deus, a canalhice é santificada.” (https://www.metropoles.com/disse-mina/em-nome-de-deus-a-canalhice-e-santificada).

“Após veto, Bolsonaro convida parlamentares evangélicos para almoço.” (https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2020/09/15/apos-veto-bolsonaro-convida-parlamentares-evangelicos-para-almoco).

“Na primeira audiência do ano, Papa diz que é melhor ser ateu do que cristão hipócrita.” (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/01/02/na-primeira-audiencia-semanal-do-ano-papa-diz-que-e-melhor-ser-ateu-do-que-cristao-hipocrita.ghtml).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s