INACREDITÁVEL (Unbelievable): Reação e Reflexão

Foto: Divulgação, Netflix. Edição minha.

Sabe aquela lista gigante de séries e filmes que compõe a “minha lista” na Netflix, a qual parece aumentar mais do que diminuir? Então, eu tenho zilhões de títulos nessa lista na minha conta da Netflix, e frequentemente me pergunto se algum dia conseguirei assistir tudo o que está nessa lista. Não sei você, mas eu acho difícil que um dia isso acontecerá. No entanto, de vez em quando decido investir um tempinho para assistir algo que está nessa lista, e frequentemente sou presenteado com uma obra incrível da cinematografia atual.

Ontem foi um desses dias que decidi assistir algo que estava praticamente esquecido na “minha lista” da Netflix. Após uma breve consideração, minha esposa e eu decidimos começar a minissérie Inacreditável (“Unbelievable”). Assim que terminamos de assistir o primeiro episódio, nós sabíamos que não conseguiríamos ir dormir antes de acabar com todos os episódios dessa série original da Netflix.

Baseada em eventos reais, a história retratada em Inacreditável é de cortar o coração de qualquer pessoa que tem um coração. O tema geral da minissérie é estupro. Sim, o tema é pesado. Bem pesado. No entanto, assim como outras séries que retratam realidades duras e difíceis da nossa sociedade (tal como 13 Razões Porquê (“13 Reasons Why”), essa é uma série que todos nós deveríamos assistir e refletir na seriedade dos eventos retratados na série. Se você ainda não assistiu essas séries, eu recomendo assistir (considerando todas as recomendações de autoridades, claro.)

Para não dar “spoiler” para quem ainda não assistiu a série e está lendo esse texto, eu vou tentar me limitar a aspectos gerais da série, sem muitos detalhes. Quando tiver muito detalhe específico, vou avisar a possibilidade de spoiler hehe.

Assistindo a Minissérie

O primeiro episódio é, na minha opinião, o mais difícil de assistir. Além de retratar cenas da violência sofrida pela vítima principal da história, esse episódio também retrata o descaso das autoridades diante da jovem violentada. Sendo completamente sincero com você que está lendo esse texto, assistir o episódio #1 dessa minissérie me fez entender ainda melhor o porquê mulheres vítimas de estupro muitas vezes não denunciam o ataque sofrido por elas para autoridades.

Sim, você leu certo. Eu já ouvi pessoas vítimas de estupro que falam que as autoridades normalmente defendem o estuprador e questionam a vítima, mas isso ainda era algo abstrato na minha cabeça. Ao assistir essa série, eu tive uma imagem vívida do que isso significa. Sim, ainda é uma imagem abstrata baseada em uma série da Netflix. No entanto, a forma retratada pela série me fez entender melhor o sentimento das vítimas de violência sexual, as quais sofrem não apenas nas mãos de psicopatas estupradores mas também nas mãos de péssimos detetives e policiais que ou são mal preparados ou são tremendamente machistas.

Esse episódio #1 me fez sentir raiva, nojo, revolta… me fez ter vontade de socar uma parede, e me fez chorar. Que mundo cruel e injusto que vivemos! As pessoas que deveriam proteger e trazer justiça às vítimas de psicopatas se tornam verdadeiros demônios ao desconfiarem da veracidade do testemunho de uma vítima de estupro, e violentam a vítima com mais um trauma. Pensar que isso é a realidade que nós vivemos me faz perder as esperanças e me afogar em desânimo.

Cena: Detetives interrogam e questionam o depoimento da vítima de estupro.

Felizmente, após o episódio #1 vem o episódio #2. Assim como uma mudança de água para o vinho, nós vemos uma mudança de 180 graus na postura e atitude das autoridades diante de um caso de violência sexual. Isso acontece ao sermos apresentados à duas detetives que investigam casos similares ao do episódio #1. A partir desse episódio (#2), a minissérie passa a retratar um exemplo daquilo que deveria ser a postura e atitude das autoridades diante de casos de estupro. A postura da detetive Duvall aquece o coração que havia sido quebrado no episódio #1 da série, e a esperança de que ainda há pessoas que realmente se importam e defendem as vítimas de estupro volta a existir. Ah! se todos os detetives e policiais tivessem a postura e o cuidado demonstrado na série pelas duas detetives que se tornam as personagens principais da minissérie.

Eu sei que você que leu até aqui já deve estar ficando cansado, e o texto está ficando grande. Assim, não vou mais dar muitos detalhes além dos que eu escrevi até aqui. Por isso, vai lá na Netflix e assiste essa minissérie agora mesmo. São oito episódios que têm a duração média de 50min. Vale a pena assistir cada segundo. Você não vai se arrepender!

Inacreditável na Vida Real

Note: possibilidade de spoilers a seguir.

Embora a série seja baseada em uma história real, eu não vou abordar esse aspecto da história aqui. Há outros blogs que já escreveram sobre a história real que serviu de base para a minissérie da Netflix. Pesquise no Google e você pode encontrar mais detalhes sobre isso.

Aqui, eu gostaria de refletir sobre várias mensagens incríveis que essa série nos ensina em relação ao contexto de violência sexual no mundo real em que eu e você vivemos. Em outras palavras, eu quero enfatizar alguns aspectos que me marcaram, especialmente aqueles que demonstraram que aquilo que estava sendo retratado na série não é ficção mas sim o que está acontecendo no mundo em que eu e você vivemos.

Em primeiro lugar, a série enfatiza o descaso de autoridades e do sistema policial em relação às vitimas de estupro. A presença de uma descrença nas delegacias e na postura de pessoas de alta autoridade no sistema de investigações diante dos testemunhos dados pelas mulheres violentadas é demonstrada com clareza na série. Alguns investigadores nem se permitem considerar que um homem com autoridade ou histórico de serviço militar/policial praticaria um ato de violência sexual, mesmo diante de um histórico onde esses já haviam abusado ou violentado suas esposas. Assim, a série retrata como o sistema de investigação muitas vezes protege não a vítima mas sim aqueles que são considerados “pessoas de bem” pelos policiais.

De fato, a ênfase se torna em descobrir se a vítima está falando a verdade, isto é, se ela “realmente foi abusada” ou se ela está inventando um estupro para chamar atenção. Ao invés de descobrir quem é o estuprador e prender tais psicopatas, detetives tentam descobrir se a vítima “realmente é uma vítima” ou apenas está fingindo.

Eu confesso que uma das partes que eu mais senti satisfação ao assistir a série [SPOILER ALERT — vá para o próximo parágrafo se não quiser ler spoiler!!!] não foi ver o estuprador sendo preso, mas sim ver a cara dos detetives que duvidaram e até mesmo processaram a vítima de estupro ao descobrir que eles fizeram um trabalho de merda, protegendo o estuprador ao invés da vítima através da postura deles. Pena que os mesmos não perderam o seu emprego. Até nesse ponto há injustiça, pois quem pratica injustiça não precisa arcar com as consequências dos seus erros. Aparentemente, basta ter poder e ser homem que nada pode te atingir. Alguma semelhança com a nossa realidade atual?

Diante disso, a série critica tal realidade através das duas detetives que lutam não apenas contra os psicopatas que estão foragidos por terem violentado várias mulheres mas também contra o sistema que não protege as vitimas da violência de tais psicopatas.

Cena: Detetive questiona postura de descaso de autoridades em relação à vitimas de estupro. Crédito na imagem.

Tudo isso me leva a uma das lições mais importantes e duras que Inacreditável retrata — a saber, que vítimas de violência sexual muitas vezes se encontram sozinhas, sem o apoio de amigos, familiares, e de autoridades que juraram proteger elas. Até mesmo as pessoas que dizem te amar acabam te abandonando.

Cena: Tutora de Marie falando que ela não tinha amigos quando todos duvidavam da veracidade dela ter sido vítima de estupro. Créditos na foto.

Em uma das frases que entraram no meu ouvido como um soco no meu estômago, a jovem vítima de estupro — que teve sua história desacreditada por TODOS — diz a uma psicóloga que as pessoas decidem não acreditar em você se aquilo que você está dizendo é muito duro ou difícil de acreditar.

Cena: Marie conversa com psicóloga. Créditos na foto.

Essa é uma das mensagens mais duras que eu encontrei na minissérie Inacreditável. Se você já passou por um momento difícil na vida, você sabe a importância de ter pessoas do seu lado apoiando e estando com você. Agora, imagina uma situação em que você passa por um dos piores momentos da sua vida, onde você é vítima de violência sexual, e todos duvidam de ti. Aliás, não apenas duvidam e se afastam de ti mas também atacam você como se você fosse a culpada pelo que está acontecendo.

“Ah! mas isso é coisa que só existe na Netflix. Afinal, isso não acontece na vida real, não é mesmo?”

Infelizmente, eu e você sabemos que isso não é coisa de ficção. Há poucos meses ouvimos o caso de uma jovem catarinense que foi abusada e teve a integridade da sua denúncia duvidada ao ponto do estuprador dela ser inocentado por “falta de provas.”

Falta de provas? Pelo contrário! A jovem apresentou testemunhas, vídeos, peça íntima com sêmem do abusador, etc., e a “justiça” declarou não haver provas suficientes para condenar o violentador, inocentando um estuprador que está à solta. E a vítima saiu como a culpada por ter sido estuprada, pois postava fotos de biquíni.

Que sociedade cruel que vivemos. Que mundo injusto. Que absurdo!

Em uma das frases de grande valor apresentadas em Inacreditável, o advogado da jovem vítima de estupro comenta que

“Eu sinto muito por isso, Marie. Ninguém questiona se alguém foi assaltado, se foi agredido fisicamente, mas quando é agressão sexual, questionam.”

Incrível isso, não é mesmo? Se você for assaltado hoje, ninguém questionará se você foi “realmente assaltado”. Se você for agredido por alguém fisicamente, não vão pedir se você foi “realmente agredido”. Mas, se uma mulher for estuprada, o sistema que deveria proteger e trazer justiça para ela questiona se ela foi “realmente estuprada”. Isso não é o maior absurdo que existe na nossa sociedade?

A minha pergunta é: quando isso vai acabar?

Se o que é retratado pela minissérie Inacreditável da Netflix reflete a realidade atual, o que está sendo feito para reverter essa situação?

Sinceramente, eu não tenho as respostas para essas perguntas. Eu só sei que estou cansado, com nojo, revoltado, e completamente decepcionado de saber que vivemos em um mundo que protege estupradores ao invés das vítimas de estupro. Especificamente, me entristece saber que nada é feito para mudar essa realidade, e que mulheres ainda hoje precisam decidir se “vale a pena” denunciar os abusos que sofreram, pois correm o risco de sofrerem e serem julgadas por uma sociedade influenciada por uma cultura do estupro.

Enfim, assistam a série Inacreditável. Eu gostei, e recomendo. Se você já assistiu, comenta comigo o que você achou. Valeu!

“Jericho March”: O Perigo da Idolatria entre Cristãos

Foto: The Associated Press

Sabe aquelas coisas que você vê cristãos fazendo e logo você entende o porquê pessoas criticam cristãos, o porquê elas não querem pertencer à Igreja Cristã, e o porquê muitos acham que a fé cristã é ou irrelevante ou hipócrita diante do mundo atual? Esse foi o meu sentimento ao ter conhecimento da “Jericho March” (=Marcha de Jericó) que aconteceu no último sábado (12 de dezembro de 2020) na capital dos Estados Unidos, Washington D.C.

Embora o site oficial da “Jericho March” descreva a sua “missão” como “chamar pessoas de fé para orar, jejuar, e protestar pacificamente em serviço a Deus e em defesa da vida, da liberdade, e da justiça” (to call upon people of faith to prayer, fasting, and peaceful protest in the service of God, and in defense of life, liberty, and justice), a prática dessa “marcha” foi um completo exercício de idolatria que contradiz a fé e o ensinamento cristão de tantas formas e em tantos níveis que uma análise muito mais profunda é necessária a fim de entendermos o que aconteceu.

De fato, tal análise foi feita e oferecida por alguns escritores cristãos americanos que assistiram a “Jericho March” no último sábado. Um deles é o escritor cristão Rod Dreher, editor chefe do site The American Conservative, o qual escreveu um extenso texto que analisa o evento que ocorreu no último sábado na capital americana. De acordo com Dreher, a “Marcha de Jericho” não refletiu a “missão” do movimento, mas sim foi

“um protesto em favor de Trump por cristãos (e judeus simpáticos) projetado para imitar a história bíblica do exército israelita marchando ritualmente ao redor da cidade murada de Jericó, tocando trombetas e observando enquanto Deus demolia as defesas da cidade para que os israelitas pudessem conquistar. A ideia da Marcha de Jericó é que os verdadeiros crentes circulariam as instituições corruptas do governo dos Estados Unidos, aquelas que promulgavam a farsa de que Trump perdeu a eleição.”

Dreher, “What I Saw At The Jericho March.” Tradução minha.

Em outras palavras, a ideia da “marcha” era circular ao redor das “instituições corruptas” americanas a fim de que assim como as muralhas pagãs de Jericó foram destruídas por Deus e o verdadeiro povo escolhido conquistou a cidade, assim também Deus destruiria os poderes pagãos do governo americano a fim de que o verdadeiro povo escolhido possa conquistar o governo — isto é, o ex-presidente Donald Trump.

Se você está achando isso tudo uma maluquice, você não faz a mínima ideia de tudo o que aconteceu. A tal “marcha” apresentou uma série de líderes conservadores (cristãos e não-cristãos) que assumiram o microfone e se dirigiram à multidão presente na capital americana. (Se você já se perguntou “mas o que essas pessoas estavam fazendo reunidas em meio à uma pandemia que está matando milhares de pessoas todos os dias nos Estados Unidos, parabéns: você está correto em se perguntar isso.) Esses líderes, no entanto, não chamaram as “pessoas de fé para orar, jejuar, e protestar pacificamente em serviço a Deus e em defesa da vida, da liberdade, e da justiça,” mas sim chamaram as pessoas para lutar até a morte se fosse necessário para defender a “clara eleição” do candidato republicano, Trump. Tal é a mensagem pacífica em “serviço a Deus e em defesa da vida, da liberdade, e da justiça.” Você consegue perceber a ironia?

Ou seja, a “Jericho March” mostrou-se uma marcha “cristã” que busca servir a Deus fazendo tudo aquilo que Deus reprova, e defendendo a vida através de lutas até a morte, da liberdade através do desrespeito à liberdade de quem votou de uma forma diferente, e da justiça através de desrespeitos a mais de 50 juízes e jurados que já rejeitaram os processos do ex-presidente americano. Sim, esse é o exemplo de “defesa da vida, da liberdade, e da justiça” dado por CRISTÃOS que apoiam o republicano Donald Trump. Você nota algo errado nessa postura e discurso?

Mas, o que isso tem a ver com você que está lendo esse texto no conforto da sua casa em plena quarentena no Brasil?

Se você acha que “nada,” você está muito enganado. Se você é cristão, você deveria se preocupar MUITO quando pessoas que se chamam “cristãs” passam a adotar uma postura igual a essa vista na “Jericho March.” Isso porque tal atitude NÃO É CRISTÃ. Nada — eu repito, NADA! — que você viu ou encontrou na “Marcha de Jericó” reflete a fé cristã. Ela não foi pacífica, mas sim promoveu um discurso de ódio; ela não foi em defesa da vida, da liberdade, e da justiça, mas sim em defesa de uma teoria conspiracionista; e ela não foi em serviço a Deus, pois toda a base e postura da “marcha” reflete uma idolatria contrária ao serviço e culto ao Deus Triuno — Pai, Filho, e Espírito Santo. Pelo contrário, ela foi em defesa e serviço a Donald Trump e ao “deus” do nacionalismo americano.

Quando essa postura começa a ser vista como “cristã” no mundo em que vivemos, isso significa que quando você confessa a sua fé em Cristo TODO MUNDO acha que você é um dos idólatras que participam de “marchas” que defendem e servem não a Deus mas sim a líderes políticos de estimação. E, consequentemente, vemos como Nietzsche estava realmente certo ao dizer que “Deus está morto,” e nós mesmos que matamos Ele.

Por outro lado, posturas como essa deveriam nos preocupar no Brasil porque não estamos distantes de uma idolatria parecida com a que já é observada claramente nos Estados Unidos. Há algum tempo eu vejo cristãos praticamente cultuando e servindo um certo líder político como se esse tivesse sido escolhido por Deus para salvar a nação. Esses cristãos — sim, eles estão dentro da igreja luterana também — acreditam que somente quem apoia esse certo líder político ama o país “de verdade.” Mais preocupante ainda, há pouco tempo vi sinais de pessoas falando que “cristãos de verdade” apoiam esse candidato, e qualquer crítica ao mesmo nada mais é do que falta de fé. Eu me pergunto: será que não estaremos vendo a mesma postura vista nesse final de semana nos Estados Unidos em cristãos na próxima eleição presidencial no Brasil daqui a 2 anos?

Repito: nada que é refletido nessa postura vista na “Jericho March” é cristão. Nada. Visões “divinas” que dizem que um certo candidato é o escolhido de Deus para salvar o país soam muito distoantes da fé confessada na revelação em Jesus Cristo e nos livros canônicos da Bíblia. Lutar até a morte por um líder político soa para mim como um discurso muito diferente do que encontramos em Cristo e os apóstolos. Mais especificamente, estes discursos soam MUITO diferente do discurso pró-vida pregado pelos mesmos cristãos algumas semanas antes destes estarem se armando para matar o seu próximo por amor ao seu político de estimação.

Não, isso não é cristianismo. Isso não é fé cristã. Isso é reduzir a fé cristã até o ponto que ela sirva as minhas ideologias políticas. Como Dreher escreve em seu artigo, nós precisamos rejeitar a visão que prega o alinhamento da nossa fé com nossa visão política. Isso porque o contrário deve ser feito! Nossa visão política deve ser moldada à luz da nossa fé. E é exatamente isso que o pastor Dr. Samuel Fuhrmann escreve em seu recente artigo sobre o tema. Vale a pena a leitura!

Em resumo, eu gostaria de deixar claro a minha visão e postura diante de tais eventos como a “Jericho March”, principalmente aos meus amigos não-cristãos:

A minha visão de mundo e do que significa ser cristão NÃO é a mesma dos participantes, líderes ou organizadores dessa “marcha” que aconteceu no último final de semana na capital americana. Honestamente, isso não é cristianismo, como enfatizei acima. Cristãos não pensam assim. Cristãos não agem assim. O Deus confessado pelos cristãos não pede e não apoia tal pensamento, tal postura, e tal atitude. De fato, o Deus revelado em Jesus Cristo e confessado pelos cristãos pede e aprova um pensamento/postura/atitude completamente diferente desses apoiadores do Trump. Cristãos são guiados e moldados pela Verdade revelada em Cristo, não mentiras inventadas por conspiracionistas que criam um ídolo à sua própria imagem ao invés de pregar o único e verdadeiro Deus — Pai, Filho, e Espírito Santo.

Uma última palavra: está na hora (de fato, já passou da hora) de começarmos a falar como Igreja e em nome da Igreja diante de tais mentiras comuns atualmente. Como já afirmei em outros momentos, quando a Igreja se silencia, ela não apenas se silencia a si própria mas também o próprio Deus que fala através da Igreja. Que Deus nos dê força para falarmos a vontade dEle, revelada em Jesus Cristo e nas sagradas Escrituras, e não a nossa vontade própria que reflete opiniões políticas ou sonhos conspiracionistas. Em resumo, que Deus nos conceda a graça de sermos cristãos à luz de Cristo, não de políticos de estimação.

Referências

Rod Dreher, What I Saw At The Jericho March. Disponível em (https://www.theamericanconservative.com/dreher/what-i-saw-at-the-jericho-march/). Acesso em 14 Dec. 2020.

David French, The Dangerous Idolatry of Christian Trumpism. Disponível em (https://frenchpress.thedispatch.com/p/the-dangerous-idolatry-of-christian?fbclid=IwAR13DLwKV6tr9IAw3gRdvFsBPYxmQGSL78x9Dy8mxmEiCRJDhk-sM8gybzs). Acesso em 13 Dec. 2020.

Samuel Fuhrmann, “A IGREJA ESTÁ NA PÓS-MODERNIDADE”: EM DIREÇÃO A UMA RESPOSTA LUTERANA AO RELATIVISMO ÉTICO. Disponível em (http://revistaigrejaluterana.com.br/index.php/revista/article/view/64). Acesso em 14 Dec. 2020.